quarta-feira, 14 de novembro de 2012

A Bíblia e Algumas Questões




Quando fui convertido por Deus procurei, assim como todo novo convertido fazia, pelo menos daquela geração, ler e conhecer o Livro pelo qual tornava os crentes uma comunidade bastante peculiar em meio à massa da cidade, ou seja, a Bíblia.

Se bem que o meu contato com o Livro Sagrado se deu ainda infância, mesmo sem dominar a leitura, numa Bíblia luxuosamente ilustrada que era vendida em fascículos semanais, nas bancas de revistas e que meu irmão mais velho colecionava, creio que era uma publicação da lendária TIME – LIFE.
Essa Bíblia era um espetáculo!
As ilustrações, verdadeiras obras de arte, o texto era adaptado para uma leitura fluida como num romance, a qualidade excelente do papel e o colorido cauteloso nos convidava a uma viagem à terra das histórias contidas ali. Aquela publicação me fascinou e não havia dia em que não a folheasse.
Já adolescente, ganhei um Novo Testamento dos Gideões Internacionais e havia uma Bíblia de publicação católica em minha casa onde lia esporadicamente e aleatoriamente, sem muito interesse. Foi por causa dos crentes que decidi ler, e foi para combatê-los em seu campo e em seu conhecimento.
Não deu certo!
Fui ganho pela Palavra.
Não pelos crentes.
Nem precisou de evangelizadores proselitista. No meu caso bastou a Palavra, não posso doutrinar para outros, o que foi uma experiência individual, embora possa afirmar que proselitismo nada ajuda na evangelização.
Onde pretendo chegar?
Nunca me decepcionei com a Palavra de Deus, nunca deixei que novas doutrinas, ortodoxias modernas ou não, conceitos denominacionais e teólogos encantados consigo mesmo fizessem a Bíblia perder o valor vital para minha vida. Olha que as batalhas têm sido muitas, pois ela continua sendo o alvo predileto de ateus, liberais, católicos, filósofos, intelectuais e evangélicos descontextualizados e pretextualizados.
Não é novidade o eterno debate com os ateus, gnósticos e certos intelectuais em nosso dia a dia, muitos desses encontros já registrei até em tom poético. Isso por conta, em geral, do olhar humanístico que lançam sobre as Sagradas Escrituras, o que os impede de compreender a dimensão e inspiração divina nela contida.
Durante alguns anos convivi com um debate não declarado com um grupo de simpáticos espíritas nas tardes de sábado. Eles realizavam um programa de rádio e nós entrávamos logo após, com o nosso programa; então já viu. Depois o horário mudou, entrávamos primeiro, depois eles, e os debates continuaram. O que foi interessante e que houve muitas refutações e contra-argumentações de parte a parte, porém, nenhuma grosseria, e foram sete anos nessa labuta.
Hoje os evangélicos se esbaldam em ataques gratuitos e má educação, principalmente na internet onde o ódio subterfugia-se nas teclas e na virtualização de um mundo irreal, mas onde os sentimentos floreiam.
Nos últimos tempos observo o retorno do catolicismo (ICAR) no ataque a mais primária das asseverações da Reforma Protestante, o Sola Scriptura. Vejo intensas acusações e a insustentabilidade desses argumentos contrários a Palavra e em prol da tradição e dos concílios como regras de fé e prática. Ora, de fato, é preciso tentar diminuir ou mesmo anular o caráter normativo e único da Bíblia, pois ela vai de encontro as mais básicas sustentações teológica dessa instituição. Então, procura-se na tradição e na voz conciliar legitimar sua incapacidade de rendição ao Único, de conversão ao Verdadeiro, de filiação ao Pai, através do Filho, pelo Espírito.
Argumentar que a igreja escolheu a Bíblia e não esta a igreja é uma auto destruição teológica, e nem preciso perder tempo com isso, leia a Bíblia, examine a história e desmascare os ídolos.
Valer-se da tradição e do que afirmam os concílios e/ou papas é um retrocesso milenar, é uma tentativa tosca de substituir o Espírito Santo e um fragrante atentado ao Deus Vivo e Verdadeiro e ao Cristo que na cruz morreu, ressurgindo ao terceiro dia e a Direita do Pai se encontra agora.
Tudo isso para justificar a idolatria mística e hierárquica.
Mas a Bíblia sempre causou abalos onde o homem quer prevalecer. Entre os próprios reformadores houve divergências entre os livros canônicos, principalmente Ester, Tiago e Apocalipse. No entanto, a vontade imperiosa do Senhor prevaleceu.
Agora, vejo nos grupos “evangélicos” o estrago nos currais da fé que uma leitura laboriosa, cuidadosa e reverente da Palavra causa. Ela tem atrapalhado muito o trabalho dos ídolos gospel e suas visões psicotrópicas.
Quando convido alguns irmãozinhos a leitura disciplinada e sem interferências das teologias e óculos denominacionais (nem mesmo a minha), vejo o rebuliço que acontece.
É chute fora nos patriarcas de Mamon e suas indumentárias sacras.
É um passa fora! Nos apóstolos de mercado e seus palácios condenatórios.
É um arreda! Aos bispos empresários - políticos e seu império nababesco.
É um te dana! Aos pastores sectários catadores do bem alheio.
É um apartai-vos de mim! A toda falação estranha e contrária a Palavra, a toda visão carregada de engodo, a todo estrelismo espiritual, a toda hipocrisia cultual, a toda e qualquer barganha religiosa, a toda síndrome antropológica no lugar de Cristo.
Para minha tristeza percebo que muitos dos ditos evangélicos de hoje lêem a Bíblia somente nos trechos devocionais dos cultos e, tem-na usado como auto-ajuda, aliás, nunca vi tanto livro de auto-ajuda sendo lido e até ensinado pelos “cristãos”, principalmente os evangélicos quanto nesses tempos atuais.
Voltemos a Palavra, ao Evangelho que é vida, pois personifica-se em uma pessoa Jesus Cristo!
E para onde iremos nós?
Só Ele tem as palavras de vida eterna. (Jo 6.68)

Sola Scriptura.

N’Ele, que é a Palavra.

Ponha a Casa Em Ordem





Ezequias foi um dos mais notáveis reis de Judá, o relato sobre de sua vida e seu governo está registrado em três passagem das Escrituras Sagradas 2º Rs 18-20; 2ª Cr 29-32 e Is 36-39. Seu reinado foi marcado por sua piedade e excelente condução da política interna e externa. Judá, no tempo de Ezequias experimentou segurança e independência diante das potências internacionais daquela época. Temos ainda a favor de Ezequias as experiências da manifestação do Senhor dando poderoso livramento em meio a grandes angústias e tribulações. Como foi no caso da afronta de Rabsaqué, general de Senaqueribe rei da Assíria, que pretendia cercar e se apossar de Jerusalém e das cidades de Judá (2º Rs 18.13-19.37; Is 36.1-37.38), ou, no caso da cura miraculosa do rei (2º Rs 20.1-11; Is 38.1-22).
No entanto, havia uma brecha na vitoriosa carreira de Ezequias e, é por causa dessa negligência que Deus o exorta duramente em meio à enfermidade mortal. Essa brecha que manchava a sua trajetória como homem, estadista e rei eram, tão somente, a falta de atentos cuidados com a família, e esse fato deve nos conduzir a profundas reflexões sobre como estamos conduzindo nossas famílias em meio a nossa busca por conquistas e realizações. Apesar de seu sucesso como homem público e sua fidelidade ao Senhor, Ezequias descuidava-se de seus deveres domésticos. Embora o seu reino estivesse em ordem, sua casa carecia do que é mais fundamental para a formação de um lar: o homem marido, pai, companheiro, amigo e sacerdote.
Podemos então, considerar:
Deus nos deu a família por excelência (Gn 2.24; Mt 19.5)
Desde o princípio Deus nos formou como família, a sua importância dentro da economia de Deus para homem prossegue grandiosamente pelo texto bíblico, mesmo com cenas trágicas, como nos casos dos primeiros filhos de Adão e Eva (Gn 4.1-16) e da sentença a família de Davi (2º Sm 12.10-11),  ou em grandes dramas como se deu nos caso de Noé (Gn 9.20-29)  e Abraão (Gn 22.1-19), a família é sempre o ponto de chegada, caminhada e partida para o homem, e deve ser a nossa maior realização, conquista, riqueza e herança. Mesmo como Igreja nosso propósito evangelístico foca-se em família (Gn 12.3).  Só o amor a Deus suplanta a família (Mt 10.37);
Deus nos deu a família para a experiência da felicidade (Sl 128)
A idealização divina da família está em conduzir a vida do ser humano numa experiência feliz, superada apenas pela glória celeste. Precisamos cuidar para que crises circunstanciais ou choques de gerações não inflamem nossas famílias e roubem o espaço da alegria familiar, porque Deus projetou a família como lugar de paz e de aprender a paz, lugar de amor e de aprender a amar, lugar de culto e de aprender a cultuar (Ef 5.22-6.4);
Deus nos deu a família como campo missionário (Js 24.15b)
Somos sacerdotes de nossa casa, esse um mandamento honroso, mas que nos alerta quanto à responsabilidade e o cuidado que o Senhor espera de nós quanto a nossa família. Temos a obrigação, como homens de: a) vida exemplar nos compromissos; b) na vida devocional; c) na defesa do Evangelho e fidelidade ao Senhor. Antes de pregar para qualquer pessoa é preciso ganhar os nossos para o Reino (Dt 6.6-7; Pv 22.6).
Por a casa em ordem é cuidar da família conduzindo-a ao PAI.

N'Ele, em quem bendizemos nossas família.

P.S: Estudo dado no programa: Auxílio do Alto, pela Rádio Rural de Guarabira. 

Para Todos Que Navegam Nessas Águas


Desculpa gente!
Tenho andado sumido e vocês nem imaginam a angústia de não ter encontrado uma forma de alimentar o blog.
O motivo são os dois projetos que estão ocupando quase todo o tempo que disponho. São eles: uma monografia que tem como tema: O Culto a Personalidade e Suas Conseqüências Para a Igreja Evangélica brasileira

O outro projeto é a ministração do curso: Estudando O Apocalipse na EBD, a pedido da secretaria de educação teológica da IPG.
Além disso, o Auxílio do Alto, programa de rádio, continua todo domingo e nas quintas tenho ministrado até o fim do ano aulas para a UPH da IPG sobre o Homem e a Família.
Enquanto isso... A licença de funcionamento de minha pequena farmácia não sai nunca! A burocracia está queimando minha paciência e torrando minha parca reserva, já estou quase sem nenhum. Socorro!!
Peço me ajudem nas orações.
O Senhor, no entanto, está no controle absoluto, n’Ele confio e sempre confiarei.
 Deus abençoe a todos!

N’Ele, que nos conduz em triunfo.

P.S: Estou terminando a monografia, graças a Deus, enquanto as aulas já estou na décima...agora a farmácia...misericórdia Pai!

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Uma Crônica Para Pedro


Pedro, meu Pedro, meu filho.
Menino apressado que com sete meses e meio de gestação resolveu inaugurar-se e contrariar o funesto diagnostico de morte com a liturgia da vida.
“Seu filho não sobreviverá!”
Afirmava o médico mostrando os seus diplomas.
“Não temas, crê somente” (Marcos 5.36)
Assegurava o Médico dos médicos (Jesus) demonstrando o seu poder.
E assim foi o teu primeiro dia de vida. Dia de milagre. Porém, o maior milagre foi você!
Mas, eras tão pequeno, bastava uma só das minhas mãos para te segurar por inteiro. E era tão frágil, qualquer friagem poderia ser fatal. No entanto, havia sede de vida, vontade de vida, desejo de vida, tão intenso que teus olhos brilhavam renovando a nossa fé.
Pedro, meu Pedro, meu filho.
Agora, estais completando o teu primeiro ano e foram tantas as vitórias, dia a dia, semana a semana, momento a momento que enumerá-las torna-se uma dificílima tarefa. O teu sorriso mágico tem a capacidade de demover os meus habituais e cotidianos estresses. Tua curiosidade infantil é aventureira e desbravadora, grande causadora dos nossos sustos primários. Teu cabelo dourado é um raio de sol que resolveu morar ali. O teu sono tranqüilo é a própria imagem da paz.
Já te arriscas alguns passinhos e meu coração aos pulos sofre com as tuas quedas e teus pequenos machucados, todavia, tem plena consciência do quanto eles são necessários para o teu desenvolvimento.
As palavras ainda não fluem na tua comunicação e tentamos compreender o quase indecifrável idioma comum dos bebês e as nervosas gesticulações incontidas.
Eu quero que estas palavras, junto com o meu amor embalem não apenas os teus sonhos, mas o de todas as crianças dessa terra.
Um dia, eu sei, tu iras ler esta crônica e então saberás o pai bobão que eu sou, desajeitaaaado, mas, loucamente apaixonaaaado por você, que não tendo mais como falar resolveu apenas te chamar: Pedro, meu Pedro, meu filho.
(Pedro Lucas faz aniversário dia 11 de outubro, véspera do Dia das Crianças. É o meu segundo filho, um milagre de Deus, pois fora dito que não sobreviveria, mas o Senhor lhe deu a vitória da vida).
Este texto foi escrito quando Pedro Lucas completou seu primeiro ano de vida. Hoje ele faz cinco anos, resolvi revisitar o texto publicado em 2008 no brejo.com.
Infelizmente não tem festinha, pois está dodói, já vomitou 3 vezes e está na nebulização e medicado com corticóides. Creio em Deus que estará melhor para fazermos uma gostosa comemoração.

N’Ele, nosso PAI.  

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Depois da Tempestade





"Nem sempre segue a bonança, mas contabilizar as perdas é certo"


Passada as eleições (ao menos onde não terá o 2º turno) é hora de juntar os cacos.
Quantas “profecias” não cumpridas.
Quantos “homens de deus” sem ter onde por a cara.
Quantas “igrejas” manchadas.
Quantos “rebanhos” divididos.
Quanta vergonha ao Nome do Senhor.
Os judeus levavam a sério o mandamento de não tomar o Nome do Senhor em vão. Eles geralmente se escandalizam com o modo vão, corriqueiro, inútil e até mesmo vil de usarmos o nome que simboliza o que entendemos de mais sagrado. É claro que usar o Nome do Senhor em vão não se trata apenas da pronunciação do nome em si, mas de como fazemos dele um elemento no jogo de ganha e perde de nosso dia a dia. Usar o Nome do Senhor em vão é quanto se acorda tendo-o por testemunha e descumprem-se o acordado, quando se prega e não se vive, quando se usa o Nome para fins pessoais e egoístas.
E em “nome de Jesus” se decretou vitórias de uns, derrotas para outros.
E em “nome de Jesus” se determinou territórios ungidos.
E em “nome de Jesus” se barganhou rebanhos.
E em “nome de Jesus” se negociou acordos.
Em nome de Jesus...
Não devemos ser apolíticos, precisamos saber como está o mundo a nossa volta e ter compromissos com a sociedade em que estamos inseridos para a transformação pelos princípios da Palavra. Não podemos viver de “glórias e aleluias” alienados das questões que angustiam a cidade em vivemos. Até porque, quando o Cristo nos encontra e faz morado em nosso ser, começamos a enxergar o outro e suas necessidades. O egoísmo deve dar lugar ao altruísmo cristão.
O que não devemos é fazer política do mesmo modo, com os mesmos recursos indignos, com os mesmos acordos espúrios, as mesmas atitudes nefastas das raposas alojadas em nossa república. Por que vencer a qualquer custo? Por que render-se ao mercado da politicagem? Por que os “crentes” precisam participar de comemorações que procuram ridicularizar os adversários?
Deveríamos ser diferentes.
Mas... os cacos estão espalhados... se ao menos fossem corações quebrantados, em vez  dos embates entre vencidos e vencedores.
Ninguém me contou, sei dos casos de profunda desunião entre os irmãos por conta das escolhas partidárias. Lamentável.
Estou triste!
Muito triste.
Devemos ser uma comunidade unida por laços fraternos de fé, amor e esperança. Devemos desenvolver o cuidado com as pessoas e devemos buscar em primeiro lugar o Reino de Deus e sua Justiça. No entanto, perdemos ricas oportunidades de discutimos, sem preconceitos ou paixões políticas irracionais as demandas de nosso município frente às propostas dos candidatos e assim, examinarmos a mais real e verossímil, além de escrutinar os candidatos, seus históricos e filosofia de vida, para assim pensarmos um apoio, e isso longe do púlpito, pois é o lugar de exposição da Palavra não de discursos e propagandas. E sabendo que isso é apenas um dos passos primordiais para a cidadania.
Mas, o que vimos, foi frustrante, e como dói ver “igrejas” caindo no canto das raposas, encantadas em poder está tão próximas do poder.
Porém, eu tenho esperança.
Já disseram que eu sou um sonhador.
Prefiro sonhar, embora com os pés no chão, afinal: “quem não sonha não vive”, já dizia Ariano Suassuna.
Lembro-me do ultimo evento da campanha. Presenciei porque passou em minha rua e do segundo andar onde moro tenho uma ampla visão, que talvez fosse melhor não ter, pelo menos naquele dia. Eis que diviso em meio à multidão uma figura peculiar. De paletó e gravata, Bíblia de um lado da axila, com uma bandeira do “Povo Santo” numa das mãos agitando e pulando, junto com a multidão estava um intitulado pastor.
Não!
Não teria sido um pesadelo?
Uma dessas visagens?
Um delírio?
Não era.
Era real. Verdadeiro.
Não achei graça nenhuma!
Derruba pessoas no cai-cai do paletó, capaz de pulos e gritos espirituais incríveis, falar línguas de todo tamanho, e é incapaz de discernir um comportamento inadequado. Seguia os trios em êxtase num desserviço ao Evangelho.
O alívio é que a língua dos votos era outra, e ele não viu, nem ouviu (tirem suas conclusões).
Inseri esse fato no texto por achá-lo emblemático, e quero crer que foi isolado, pois, minha intenção era de uma reflexão na maneira dos evangélicos manifestarem-se na política.
A política de um povo santo deve ser no mínimo santa.

N’Ele, que elegeu seu povo antes da fundação do mundo.

P.S: Se em sua comunidade se deu o diferente, a reflexão do momento com responsabilidade e serenidade, desconsidere o texto, ele fala da realidade conhecida pelo autor. 

sábado, 6 de outubro de 2012

Quando Acordou, O Paletó Ainda Estava Lá



O cerimonialismo farisaico de nossa religiosidade protestante (evangélica) é paradoxal, confuso e em muitos aspectos incoerente. Digo isto por ser evangélico protestante, não sou desigrejado e tenho pavor e desconfiança de quem não consegue relacionar-se em comunidade e passa a atirar as pedras que lhe cabem.

Dediquei grande parte de minha juventude, ou pelo menos os anos de maior fervor energético, no cuidado com minha família e ajudando a Igreja em que me “igrejava”. Foi o calor de servir numa comunidade com erros e acertos, mas, cheia de companheirismo e amizade, surgida pelo tecer da Palavra que aprendi a pensar o Evangelho não como uma utopia platônica, um ideal de Igreja a ser alcançado, mas, de viver o pé no chão do Evangelho, com suor, lágrimas, sangue, sorrisos, abraços e muitas despedidas.
Tive muita sorte (leia-se propósito de Deus) de conhecer muita gente boa trilhando o Caminho da Graça com graça. E pude discorrer sobre filosofia e teologia com as pessoas mais improváveis neste universo protestante repleto de rótulos pedantes e academicismos sem fim. Muitos dos “teólogos” que me socorreram não tinham diplomas na parede para ostentar. Sentavam comigo, às vezes na EBD, e durante a semana vendiam cachorro quente em carrocinhas; outros eram sacoleiros, prestamistas e alguns traziam a rudeza da lida expostas nas mãos, mas transbordava ternura no coração.
Não estou fazendo uma defesa ao lugar comum, a ignorância simplista temerosa do conhecimento. Isto é um absurdo! Uma vez que o povo peca por falta de conhecimento, e o intelectual, por não considerar nem conhecer o poder de Deus.
Precisamos estudar academicamente, cientificamente, metodologicamente, com tremor e temor a Palavra de Deus para poder servir ao nosso Deus espalhando esse conhecimento em nossas comunidades. As nossas instituições, que são dedicadas a tal missão não podem ceder a tentação de transformar o conhecimento numa arma para a criação de classes especiais de modernos sacerdotes, as castas do saber.
Estou dizendo estas coisas porque não fomos capazes de repensar cerimonialismos e tradições sem significado algum para a fé cristã, mas, que nos são apresentadas como símbolos identificadores de uma fé.
Hoje pela manhã, enquanto procurava um calção deparei-me com meu velho paletó (leia-se terno completo). Faz tempo que ele está lá. Deve está perto de completar dois anos que não o uso. É bonito, deixa o homem elegante e com pinta de ser alguma coisa, principalmente quando se está diante de uma comunidade pobre e humilde.
Aborreci-me dessa indumentária tão típica em nosso meio e tão inútil ao coração da fé. Lembro-me a primeira vez que cheguei à Igreja com tal indumentária, e o espanto apreciativo de todos. Recebi muitos elogios e quase acreditei que aquele composto de tecidos sobrepostos me fizesse ser algo superior. É um grande perigo que se corre com essas tradições que caduca a fé.
Tenho feito o possível para não usá-lo. Não como uma birra infantil, mas por não me sentir confortável e ser totalmente dispensável para nossa vivência real de Cristo em nós. Ainda mais nesse calorão que faz em nossa terra.
Pago o preço desta minha escolha. Tudo na vida tem uma conseqüência. Noto em muitos irmãos uma desconfiança felina além do olhar frustrante de saber que o pregador vai ocupar o púlpito de mangas curtas. No trajeto que faço a pé até a Igreja aos domingos, percebo o desprezo de alguns ao encontrar e saudar um presbítero tão deselegante. Isso porque não citei os que com uma superlativa superioridade do alto de suas vestes, fitam-me de cima abaixo como se eu fosse uma afronta aos “padrões” da fé.
Fazer o que?
Dia deste sobrou até para o Tony (Arte de Chocar). Vieram denunciá-lo a mim, pois ele estava no Culto, louvando de boné, e isso era um absurdo.
Ah! Teve quem viesse “entregar” alguns jovens que estavam participando da EBD de bermudão...
Ora, tem coisa mais gostosa que chinelo de dedo, um velho calção, camisa leve de malha e a liberdade de um Deus que se aninha em meu peito e me convida a adorar em espírito e em verdade.
Mas o contrário também é verdadeiro. Há quem aprecie e goste dos trajes por elegância e etiqueta, sem, no entanto, deixar-se levar pela vaidade ou tradições de usos e costumes. Isso é legal e faz parte da convivência comunitária, até porque tem ocasiões que somos que obrigados as sociais.
E o paletó, quando acordei, continuou lá...
Veio uma de parodiar Vinícius...

Um velho calção de banho
O dia pra adorar
O Deus que não tem tamanho
Sua graça inteira no ar.

O Cristo viver seguindo
E sentir o alívio no corpo
Sorver do Mestre o ensino
Como uma água de coco.

É bom...
Passar uma tarde em Jacumã
Ao sol que arde em Jacumã
Ouvir o Senhor em Jacumã
Servir a Deus em Jacumã.

Especialmente para o Tony, Silvano, Jairo e todos os jacumistas de plantão.
N’Ele, em quem andamos, respiramos e existimos.

P.S: Para o título deste artigo peguei por empréstimo o miniconto do escritor guatemalteco Augusto Monterosso, substituindo o dinossauro, é claro               

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Ouço Música ao Longe...



Perdoem-me!

Não sou evangélico fundamentalista, bitolado e fanático, personagem tão comum em nosso tempo. Alguns cheiram Bíblias, outros são especialistas no toque do shofar, tem ainda, os que chamam de “trouxas” a quem crê, ama e recusa barganhar a fé cristã. Ah! Não podemos esquecer os que vendem unção, os que uivam, engatinham, mergulham-se em óleo e metem medo pela bizarrice com que demonstram seu extravagante “evangelho”.
Desculpem-me!
Não sou protestante puritano, hiper-calvinista, não pertenço em essência a nenhum dos rotulantes “ismos” tão presentes em nossa história-igreja. Alguns estratificam a fé, outros na ânsia da racionalização da fé, deserdam-nos do seu dulçor e como estranhos iluministas, diabolizam a mais natural emoção que se dá do encontro do perdido com o Salvador que nos torna filhos. Não podemos esquecer-nos dos que materializam mecanicamente o Caminho e são tão eficientes em defenderem conjuntos doutrinários sistematizados que idolatram os heróis e esquecem da misericórdia, amor e perdão.       
Perdoem-me!
Não sou evangélico imbecilizado que vaga servil, correndo atrás dos seus líderes carismáticos, reproduzindo grunhidos e imitando as gesticulações patéticas como quem segue os tripulantes de um trio elétrico.
Desculpam-me!
Não sou crente medíocre, fascinado com a espiritualidade plástica, impactado pelos milagres fabricados e os testemunhos produzidos pela indústria da fé (crendice).  Tolo a ponto de sujeitar-se a tirania apossada do púlpito, o qual anda reluzindo o ouro e prata de suas conquistas.        
Vão às favas!
Os pseudos vencedores que vendem o Evangelho, que fazem de sua mensagem um misticismo doentio, uma ferramenta de captação de recursos financeiros livres de impostos e preparados para uso ardiloso e vil. 
Apartai-vos de mim!
Os que arregimentam exércitos de seguidores marionetados, incapazes de uma reflexão aguda e de conduzir sua fé na estrada segura da Palavra, a qual é fundamentada na inspiração divina e ilumina nosso caminho.
Arreda!
Bandidos de Bíblias em punho como arma de manipulação e domínio. Negociantes incansáveis e insaciáveis pelos privilégios mundanos, sustentados pelo suor e sangue dos incautos peregrinos que de “igreja” em “igreja” buscam na penitência do dízimo o alívio para suas almas.
Ouço musica ao longe...
Ela me acalma e tem a capacidade de me conduzir ao sonho de dias melhores. Não! Não é a utopia platônica de um mundo sempre lá, no eterno: o “outro”. Mas, uma luta constante a partir de mim e de cada um que crê, (e não são tão poucos assim) não deixando esmorecer a fé naquEle que é o seu Autor e Consumador.
Ouço música ao longe...
O Evangelho é música.
Música com cheiro, tom, textura e sabor de vida nova. Regenerada! Vida pra ser vivida, sorvida, deglutida e transformada em frutos que permaneçam. Frutos da salvação. Frutos que não pesam, não aprisionam, não machuca o indefeso crente.
O Evangelho é música feita para crer, pensar, viver.

“O evangelho é que desvenda os nossos olhos
E desamarra todo nó que já se fez
Porém, ninguém será liberto, sem que clame
Arrependido aos pés de Cristo, o Rei dos reis”   (Grupo Logos)

N’Ele, que dá ritmo santo a nossa vida.