sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Fé Que Pensa, Razão Que Crê



Deus nos convida a pensar.

Você já pensou nisso?
As páginas da Bíblia é um verdadeiro desafio que nos conduz a uma fé transcendental, porém racional, que não descarta o sobrenatural nem despreza os fenômenos que não encontram explicação plausível em nossa dimensão de conhecimento, mas que, no entanto, nunca trata o culto ao Deus – Criador reduzido a um espetáculo de crendices medievais e bizarras superstições, frutos da ignorância e do misticismo tão imperiosos na alma caída do homem.
Ao contrário do que muitos imaginam, na Palavra de Deus, se encontra a mais harmoniosa filosofia prática da história da humanidade. Nela, não há espaço para ambigüidades teóricas nem tão pouco para asseveradas discussões acadêmicas que servem apenas para massagear o ego dos intelectuais. Em sua leitura somos confrontados com as nossas arrogâncias existenciais e, então, os nossos saberes absolutos se desfazem como a poeira que é arrastada pela brisa vespertina.
Deus nos convida a pensar...
Ao contrário do que muitos imaginam a Palavra de Deus não embrutece, não emburrece, não idiotiza e, muito menos não aliena ninguém. Todas as monstruosidades e esquisitices que temos testemunhado em “nome de Deus”, não condizem com os princípios e ensinos de Cristo no Livro Santo, mas de homens que para explorar o próximo e saciar a sua sede de poder, abençoa a ignorância das massas e estimulam uma religiosidade esdrúxula, pomposa e desesperadamente imediatista.
Deus nos convida a pensar...
Não apenas ler.
Ler é o começo.
Pensar é necessário.
Leia...pense...leia...estude...viva!
Quando nos lançamos na maravilhosa experiência de conhecermos o maior de todos os livros rompemos as fronteiras escravizantes dos nossos conceitos, preceitos e pré-conceitos. O simplório achará sabedoria e será apontado por mestre. O filósofo encontrará a si mesmo e o sentido do seu existir fará brotar em seu coração / espírito, o amor, a fé e a esperança.
Deus nos convida a pensar...
Nada é simplista ou casuísta. Há sempre uma parábola profunda, uma hipérbole, um tipo, um antítipo, um paralelismo a ser compreendido. Precisamos mergulhar nas águas límpidas e restauradoras da Palavra do PAI.
Mas preste atenção!
A Palavra é do PAI!
E sendo do PAI nos remete ao FILHO, nos remete a cruz, nos remete a GRAÇA. Imarcescível Graça, incorruptível Graça, incomparável Graça, inegociável Graça de Deus em Cristo Jesus.
Irresistível Graça.
Leia...pense...estude...Não com óculos da filosofia pedante e ineficaz dos homens, nem com a ótica das pseudo-teologias doentias que transforma a ardente fé racional da Bíblia em mantras, grunhidos e especulações espirituais. Deus não nos aliena, mas nos chama a um exercício racional que nos permitirá conhecer a sua boa, perfeita e agradável vontade.
Não apenas leia, mas pense, raciocine, estude, para que possa você por você com o auxílio do Espírito viver não somente o Deus Transcendente, mas o Deus totalmente inerente, pelo qual a nossa alma clama e grita e chama:
Deus – ABA; Deus – Rafá; Deus – Nissi; Deus – Jirê; Deus – Shalom.
Deus nos convida...
...ler...pensar...VIVER!

N’Ele que vive e reina para sempre, Jesus!


P.S: Artigo escrito em 2008, mas, bastante atual. Nele, tomei por empréstimo do lema da ABUB (Associação Bíblica Universitária do Brasil) para usar como título.

domingo, 12 de agosto de 2012

Paternidade, Um Ministério Divino






“Dá-me, filho meu, o teu coração, e os teus olhos se agradem dos meus caminhos”
(Provérbios 23.26)
Com a proximidade do “Dia dos Pais” nossa sociedade de consumo entra mais uma vez nessa atmosfera que mistura comércio e emoção familiar, e nossos entes queridos são transformados em instrumentalidade para promover o aumento das vendas. Há quem diga que o dia dos pais foi criado para se vender gravatas, imagine!
Ser pai é muito mais que simplesmente ser um macho da espécie e cumprir sua parte na tarefa reprodução e provimento da prole. Não somos seres meramente irracionais agindo por meio de instintos naturais. Somos muito mais que seres racionais, pois se prevalecer essa idéia da razão pura e simples nossa compreensão da vida e da morte será apenas uma questão matemática ou uma mera probabilidade. Somos seres espirituais, criados a imagem e semelhança de Deus (Gn 1.26-27), possuindo o mandato espiritual para tornar este mundo o lugar de relacionamento da criatura com o seu Criador.
Ser pai é um ministério divino, pois o pai é o sacerdote do lar, é dele, juntamente com a mãe, a responsabilidade de ensinar aos filhos o caminho do Senhor (Pv 22.6). O pai é sempre o espelho para o seu filho, todo filho procura imitar o pai e suas ações e ensinos ficam gravadas no córtex dos filhos para toda a vida.
Nosso pai deve ser eternamente o grande herói de nossas vidas, mas, infelizmente, por causa da queda (pecado) e pela inconseqüência de cada um a figura do pai tem experimentado uma desvalorização extrema, e as marcas sociais desse fracasso familiar tem sido trágico para a nossa sociedade.
Vemos hoje histórias tremendamente tristes de pais que violentam suas filhas e filhos, seja uma violência sexual, ou mesmo outras formas de violência que causam profundos dramas no seio familiar. Há aquele pai que espanca sua companheira, ora fisicamente, ora com palavras que a fazem sangrar. Há o pai que ignora os filhos, não sabe nem mesmo o ano da escola em que estão, quais são seus planos, sonhos ou tristezas; é como se vivessem em mundos diferentes. Há aquele pai que abandona a família em busca do prazer egoísta e perverso que o mundo, com sua habitual mania de inverter valores lhe põem a alcunha de que “foi em busca da felicidade”. Há, ainda, aquele pai se envereda pelo caminho dos vícios e atrai rodo tipo de desgraça para sua família, provocando tragédias e tristezas.
Mas, também tem muito pai legal!
Há aquele pai que compreende o sentido do ministério paterno e produz frutos de alegria na vida de seus filhos. Há aquele pai que é nossa referência de vida e pelo qual pautamos nossa construção familiar. Há aquele pai que nos agasalham no carinho de seu afeto e amor, aquele cuja voz é um conforto e consolo nesse mundo perverso. Há aquele pai que torce conosco. Que cresce conosco, que chora e ri e que não o trocamos nem mesmo por todos os super heróis do cinema juntos.
Independente de que tipo de pai nós tenhamos a Palavra de Deus tem um mandamento que dita nosso relacionamento: “Honra teu pai” (Ef 6.2). Mesmo com feridas e traumas, mesmo com ausência e abandonos, mesmo que nosso pai não tenha sido um herói em nossa vida, a Palavra nos orienta que a vontade de Deus é que devemos honrá-lo.
Então, devemos efetivar a eficácia do perdão em nosso coração, ação primeira para que possamos honrá-lo. Não permitir que nenhuma mágoa ou rancor crie raiz de amargura em nosso espírito.
E quanto nós, que somos pais alguns princípios para o ministério paterno:
1.       Jamais negligenciar a responsabilidade de ministrar o ensino das Escrituras em minha casa (Pv 22.6), e dosar a disciplina com amor no temor do Senhor (Ef 6.4);
2.      Ser um exemplo de conduta e honestidade de modo que a nossa família receba as bênçãos destinadas aos que praticam a Palavra (Sl 128.1-6);
3.      Que o nosso relacionamento com os nossos sejam moldados no Senhor pela Palavra de tal modo que possamos ser a segurança e confiança em nossa família, assim como Jesus confiava no PAI (Lc 23.46);
 As últimas palavras de Jesus na cruz incluíam a expressão ABA, que geralmente eram as primeiras palavras das crianças, quando ainda bebês. Era um balbuciar quase inteligível, mas, que era destinada a figura paterna. Mesmo que ela ainda não tivesse noção de quem fosse àquela figura, sabia que nela havia refúgio, proteção, cuidado, carinho, aconchego. Estando em seus braços calava e se aquietava porque estava seguro.
Desse modo é surpreendente que Jesus se refere a Deus como seu ABA, pois para Ele (Deus), Cristo ou mesmo nós não somos mais crianças destituídas de razão, mesmo assim o PAI mantém todo o amor e cuidado em nós, como quem cuida, com toda a atenção dos pequeninos.
Nosso Pai (Deus) é assim.
Que tipo de pai nós temos sido?
Que tipo de presença construímos em nossa família?
Que tipo de exemplo somos para os nossos?
Nesse dia dos pais possamos fazer uma profunda reflexão para honrar o nosso pai, o que foram e o que significam para nós e como devemos nos relacionar com ele, de acordo com a Palavra de Deus. E, também, refletir em nosso ministério paternal e exercê-lo edificando nossa família para a glória de Deus.
Feliz dia dos pais!

N’Ele, nosso PAI.  

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

A Igreja Das Ilusões Perdidas



É verdade! O título está errado.
A Igreja não vive nem desfruta nem se dá em ilusões que podem evidentemente serem perdidas ou desfeitas. Ora, a Igreja não deve perder-se nem mesmo em conceitos relativos a uma época, cultura e modo intelectualmente restrito a fenomenologia do tempo na humanidade. Deve caminhar nos fundamentos e princípios de fé em Cristo, subjugada a Cristo, adorando a Cristo, servindo a Cristo, o que nos torna livres, pensantes e fraternalmente comunitários, além de fracassadamente vitoriosos e triunfantemente fracassados.
E não é que parece ser uma utopia ilusória?
Parece.
Mas não é.
A Igreja da qual eu sou é assim.
Ela me parece um tanto quanto ingênua; desnuda de maldade e intenções, não me oferece nada para que orgulhosamente eu ostente: “sou isto e isso nesta Igreja”. Mostra-me os cravos das mãos e pés do Cabeça e se oferece para junto comigo trilhar o caminho estreito, espinhoso e cheio de pedras, mas, também, repleto da presença consoladora d’Ele.
Às vezes encontro com ela na rua, pobrinha, está varrendo onde pisam os incrédulos e os dizem ser, e não são. E quando ela fala comigo divide a sua riqueza.
Como é rica a minha Igreja!
Não tem nada, mas, possui tudo!
Outras vezes, tristonha, cabisbaixa: “Menino doente, perdido no mundo”. Então, choro a tristeza junto e ela chora comigo as minhas, parecemos tão impotentes diante de um mundo mal que jaz no Maligno. Mas, ainda que morramos, não será para sempre, pois, viveremos eternamente com o Senhor.
Mas, também a encontro em júbilo: “Menino curado, salvo do mundo”. Então, me alegro e solto meu riso, riso de conforto em saber que a Igreja que me tem, tem um Dono que solidariza-se na minha dor e na dor dos invisíveis aos sistemas, financeiros, políticos, jurídicos, religiosos, etc.
A Igreja que me tem, tem um jeitão assim, bem brasileiro, é certo. Mas, também é argentina, japonesa, americana, italiana, alemã, africana, australiana, indígenas, é gente que nunca vou entender a língua, mas o Espírito as entende tão bem e na linguagem da fé, esperança e amor, nem de tradutor nós precisamos para perceber que temos o mesmo PAI.
A Igreja que me tem às vezes nem tem sapatos, adora de chinelão e isso não atrapalhou. Certa vez a vi de calção de banho, cabelos ao vento, pés na areia, olhos no mar e coração no céu, num perfeito louvor, e depois... ÁGUA! Thibuuummm!!!
A Igreja que me tem não me carimbou com um número, pois o Pai selou-me com o Espírito e o Cordeiro marcou-me com seu sangue. Crescer nessa Igreja não é paranóia missionária, mas é a transbordante Missão de fazer discípulos aonde vou, onde estou, onde devo ir, por que sou e pertenço e o Reino tem muitos outros que ainda não são, e devem ser, e por não saber devo seguir sempre, anunciando.
A Igreja que me tem prega cantando, prega pregando, prega ensinando, prega curando, prega quando ri e quando chora, prega no abraço que abraça a vida e não o mundo. Ela não me machuca nem decepciona. Não me frustra, pois não é feita do pó humano, mas, da Rocha Divina.
Parece ilusão, que a agonia deste mundo sufocou.
Não!
Ilusão é o que vemos nos expor como realidade cristã e não é. Não suportaria se o que dizem ser Igreja o fosse. Não quero essa igreja que se mostra na tevê, e em tantos púlpitos. Tão feia. Miseravelmente rica me tira tudo. É feroz, desumana, bandida!
Agride, machuca, retalha minha esperança e nos divide em tantos pedaços, já nem posso contar.
A Igreja que me tem, não me cobra nada, eu lhe entrego tudo.

N’Ele, no qual a Igreja é seu Corpo.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Leitura, Café e Muita Música, Porque Hoje é Segunda





Não!
Minha segunda-feira não é dia de preguiça!
Só um pouco, vai!
Mas, procuro re-energizar todo meu organismo, tanto o físico quanto a alma. Não que a gente precise botar a alma na tomada, mas ela também sente a necessidade de aconchego e um reencontro em paragens verdejantes nas quais o Pastor nos guia para o refrigério.
Então tento recuperar-me da entrega que me submeto por amor ao Soberano e por engajamento ao seu Reino. Isto é, procuro fazer com muito amor e dedicação as funções como auxiliar na Igreja (comunidade) em que me reúno para a adoração em congregação. E quando sou comissionado para o sábado a noite (como foi o caso esta semana) procuro pregar com toda a capacidade possível. No domingo, meu dia começa às 4:30. Ainda escuro e lá vou eu junto com o seminarista Jonhy rumo a uma das Rádios locais para o anúncio da Palavra. Às 9:30 EBD, e às 18:30 Culto Público onde ocupo o honrado púlpito (quando escalado) para expor as Escrituras.
É na segunda-feira que o corpo sente o desgaste, mas, como estou incumbido de ministrar aulas sobre o livro do Apocalipse, não posso me dar ao luxo de dar folga às leituras, pesquisas e roteiros de aula.
Apesar de já manter uma rotina de leitura, regada aquele café espumando de quente e música sem parar, às vezes um filme leve, no qual possa rir e tornar a tarde leve.
Mas hoje, em meio a leituras e musicas fui tomado de um profundo sentimento de necessidade de buscar a Deus, e ao mesmo tempo em que uma gratidão profunda invadia meu coração.
E sem que eu me desse conta fui as lágrimas.
Que coisa!
A culpa é desse Gladir Cabral, desse João Alexandre, desse Stênio Marcius, Leonardo Gonçalves, Bianca Toledo, Logos, Priscila Barreto, etc. Esse povo não faz música, faz louvor pra machucar de bom. A melodia vem mansinha - às vezes. Alvoroçada, outras tantas e, somos impactados pelo texto Sagrado belissimamente exposto feito música.
Música, talvez (digo talvez por que há quem pense diferente) a mestra de todas as artes, pois, a natureza canta, toda ela canta, os anjos cantam, a vida é um cântico, a Bíblia está cheia de música. Ela tem a capacidade de fazer mexer o mais inflexível puritano, faz calar homens, faz dormir crianças.
A música nos convida a velejar no oceano dos sons...
E lá fui eu...
O Tapeceiro da Vida.
Pai Nosso.
Paz e Comunhão.
Vou Pescar.
O Evangelho.
Pescador.
Fim de Tarde no Portão.
O Senhor do Tempo.
Sobretudo Quando Chove.
Ele Vive.
Autor da Minha Fé.
È Proibido Pensar.
E outras e outras mais. Não quero te cansar nem ser prolixo.
Mas, também o meu Ozéias de Paulo me fez calar e refletir minha caminhada desde a década de 80.
Canção Para Um Amor Maior
Canção do Nauta, entre outras.
Guardo um pouco de tempo para ler um pouco de literatura, foi com muita ternura que fui em busca de uma releitura de Cannery Row, de John Steinbeck. Seus personagens em meio a Grande Depressão são um tanto ingênuos e abandonados pelo mundo grande e hostil, mas o dinheiro parece não ser tão assim em suas estórias. Lembra-me muito um autor brasileiro que nunca foi bem quisto da crítica, porém, é de um brilhantismo único: José Mauro de Vasconcelos.
Em fim, amanhã tenho outros assuntos. Preciso terminar, não me torturem, mas meu filho de quase 5 anos que ouvir Milton Nascimento cantando “Menino Maluquinho”, e já está com a panela na cabeça.

N’Ele, a Fonte onde bebemos a água da vida.          

sábado, 21 de julho de 2012

A Teologia Das Porções ou O Evangelho Algemado





“Errais, não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus”
(Mateus 22.29)

Outro dia ouvi uma palestra onde um renomado teólogo brasileiro aconselhou seus ouvintes a não lerem a Bíblia, pois ela enlouquece ou pode levar a loucura os seus leitores. E não era uma ironia. Partia das experiências de vida desde sua tenra idade e da sua própria mãe que foram impregnadas em sua existência, e associada a seu caminhar intelectual lhe fez chegar a tal equação: que a leitura constante e ininterrupta da Palavra pode comprometer o equilíbrio mental das pessoas.
Estranho e constrangedor vindo de alguém que deveria nos estimular a leitura das Sagradas Letras como exercício libertário e uma experiência com o poder de Deus na Palavra. Estranho e constrangedor perceber que entre nós, ditos cristãos, têm-se desenvolvido uma religiosidade desamparada do único elemento que fundamenta toda nossa ortodoxia e disciplina vivencial, a Bíblia. Estranho e constrangedor o quanto é incômodo nos dias de hoje, nos disciplinarmos no exercício da leitura diária das Escrituras. Inventamos as desculpas que nos cabem, mas, não cabe no que verbalizamos ser: cristãos!
Observamos, então, existir uma blibliofobia em pleno crescimento entre nós, e que a reboque trás graves conseqüências para Igreja.
Certa vez ouvi de um chefe de família que lia a Bíblia apenas nos encontros de casal, pois, era quando tinham tempo.
Outro, disse que não suportava a leitura por conta das narrativas do tipo genealogias ou Números.
Houve quem alegou que sua indisponibilidade era o fato de que o Antigo Testamento respingava sangue.
Teve ainda, quem confessou o medo do Apocalipse e por isso não lia.
Esses foram alguns casos que testemunhei há pouco tempo. O grande lamento e espanto é que essa negligência gera uma ignorância crônica pelas questões mais básicas da Palavra e que formam a base de nossa fé cristã. Há uma mania de crer no que é proposto pelos pregadores literalmente, sem o menor esforço de buscar a chancelaria do que foi posto na Palavra. Outra mania é optar tão somente pelo simplismo textual como se fosse resposta para tudo o não ter resposta. O que não é verdade, pois, deste modo criamos uma religião não pensante, que não tem o que responder ao mundo de agora, a não ser o clássico: “é coisa do diabo, arreda!”.
Para completar temos a cultura das porções, dos versículos isolados e usados como autorizadores de toda e qualquer bizarrice e cretinice nos campos pelo mundo.     
Então, temos a geração das porções.
É a Bíblia mutilada de seu contexto e esvaziada em seu real significado. Aviltada de sua honra como Palavra de Deus, usada e abusada como palavra de homens. Rotulada pelas empresas “ministério” que nos oferece perigosos atalhos para nos fazer enxergar a verdade que eles querem construir. Furtada de seu propósito e instrumentalizada como patuá ou ferramenta de fazer fortunas. Torturada para diga o que não diz, mas sim, a “verdade” do seu torturador. Silenciada, porque não mais expõe o plano de Deus, mas, serve como revelação apenas para o personalismo de cada um, nas porções preferidas, que se contradizem devido o mau uso e não tem significado global apenas o egoísmo do “eu”.
Um dos resultados dessa cultura é o algemar do Evangelho.
Então:
“Deus é amor” (João 4.8) não é mais uma expressão que traz a significação do amor de Deus em conceder seu Filho Unigênito para nos resgatar e purificar do pecado, e que esse entendimento nos deve conduzir a um viver comunitário ditado nesse parâmetro de amor. A teologia das porções transformou num enunciado que paralisa qualquer ação divina de condenação de pecado e conduta humana que fere os mais elementares princípios de sua Palavra. Outro problema desse tipo de teologia é que mundo o absorve rapidamente e assim se nutre da inverdade e tenta inviabilizar e desclassificar a Igreja de Cristo e sua conduta.
“Não julgueis, para que não sejais julgados” (Mateus 7.1) não é mais um princípio norteador para a comunidade e para o “eu” pessoal não emita sentenças condenatórias a cerca de pessoas baseadas em nossa lógica ou nosso parâmetro hipócrita. Ou seja, condenar os outros por aquilo que nós também, de uma forma ou de outra fazemos (às vezes em secreto), além, disso o texto denuncia a nossa incapacidade de exercer misericórdia. A teologia das porções manieta os cristãos com a aplicação simplista do versículo tornando como coisa imprópria a capacidade de discernir as ações, pensamentos e idéias, furtando do ensino de Cristo esse elemento, exposto em Mateus 7.15-16; Lucas 6.43-45.
“E tudo que pedires em meu Nome, isso farei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho” (João 14.13) não é mais uma expressão dentro do ensino de oração, pela qual quem ora é identificado com Jesus e os seus propósitos. A teologia das porções transformou esse versículo e seus paralelos numa ferramenta de coação contra Deus, no qual Ele, o Senhor é obrigado a atender os pedidos dos “adoradores”  pelo simples fato de o fazerem usando a codificação etimológica do nome “Jesus”. Como ouvi certa vez de um pregador, que Deus era obrigado a assim proceder por causa dos que orassem dessa forma.
Esses são apenas alguns exemplos para não ficar deveras extenso o artigo.
Contra tudo isso, exponho algumas exortações:
Leiamos a Bíblia sempre, e todo dia. Procurar ler ela toda, sem a preocupação se durará um anos ou mais, não fique paranóico com os planos de leituras, use-os como orientação e ajuda para tuas leituras, mas, se não conseguir segui-lo, siga lendo as Escrituras sempre, e todo o dia.
Leia a Bíblia como uma experiência de encontro com o Deus da Palavra. Evite os óculos denominacionais, tente vencer a tentação das Bíblias rotuladas (aquelas que são da “vitória financeira”, “de fulano de tal” “disso ou daquilo”), leia sem a impregnação teológica que procura nos influenciar, mas, como um adorador em busca do Deus que motiva sua adoração.
Leia a Bíblia com temor, reverência e amor, buscando nela os elementos que solidificam a nossa caminhada cristã, mesmo que nosso caminho seja pelo mar revolto.
Leia a Bíblia não como um livro mágico, mas, como a Palavra Revelação Especial de Deus, inspirada pelo Espírito de Deus e pela qual nos tornamos sábios para a salvação.
Leia a Bíblia com sua família.
Leia a Bíblia por que ama a Deus, e quem ama Deus ama a sua Palavra e não sabemos se amamos a Deus se lemos a sua Palavra.
A leitura da Bíblia não enlouquece ninguém. Essa é uma das mais absurdas mentiras que já ouvi. Nunca vi ninguém dizer que alguém ficou maluco por ter lido ou visto muita revista pornográfica, ou jornais, ou livros de piadas indecentes. Sim! A Bíblia tornará quem a lê louco para os sistemas do mundo, porém, sábios para Deus.
Ah! Antes que termine, leia a Bíblia, mas só marque um versículo em destaque quando considerar todo o contexto do parágrafo, para que não ocorre de cair na tentação da teologia das porções e o Evangelho esteja algemado pelos versículos que você gosta.

N’Ele, que é a Palavra. 

segunda-feira, 16 de julho de 2012

A Graça In(Comum) e Algumas Questões


A rotulada Graça Comum não pode ser usada como um mecanismo regulador de aceitação para adoração na Igreja (falo Igreja e não denominação) de qualquer expressão artística, produzida fora do que nos convém conceituar como “cristã”. Também, os que são alvos da Incomum Graça ou Graça Especial, não podem se valer da misericórdia de Deus como um recurso para a demonização de tudo que se faz debaixo do sol, e que não se enquadra na definição “evangélica”.
É interessante que a discussão em torno da Graça Comum virou um entrincheiramento para posições antagônicas e que pouca reflexão, de fato, tem sido produzida, apenas o endurecimento das “teorias”.
Teorias? Sim!
Tendo em vista que levamos as discussões e os posicionamentos apenas para o fator das artes, e qualquer expositor da Palavra pode se ver “em maus lençóis” caso lhe convenha a citação de algum trecho literário, poético, musical, etc, que não seja de alguém que carrega a alcunha de evangélico.  A questão fica apenas na arte, ninguém será questionado se utilizar dados científicos, tecnológicos, econômicos ou de qualquer outra natureza em seus sermões, até parece que a questão controversa da Graça Comum se dá em torno da malfadada capacidade humana de expressar sentimentos, pensamentos, emoções em forma artística.
Então...
Não se deveriam construir templos. Pois se usam métodos, cálculos e invenções que foram criados por “mundanos” que não visavam a glória de Deus, mas, apenas ganhar dinheiro. Não se deveriam usar o sistema bancário, e nem vou completar o comentário. Não se deveriam fazer uso dos automóveis, dos sistemas de som, dos métodos administrativos largamente usados nas igrejas. Não se deveria usar a bandeira Brasileira, pois esta carrega em si uma ostentação do ideal positivista de Augusto Comte: “Ordem e Progresso”. Não se poderiam cantar o Hino Nacional Brasileiro, nem a popularíssima “Parabéns pra você”. Ou o que é mais grave, não se poderia usar nem mesmo a seqüência das notas musicais, as quais são atribuídas ao monge católico Guido d’Arezzo, quando a Reforma Protestante ainda dormia o sono dos justos.
Mas, acontece algo interessante: nesses casos há um subterfúgio balizador: “tal objeto, agora, foi consagrado para ser usado para a glória do Senhor”.
Quem consagra?
Deus?
Poupem os meus cabelos brancos.
Todo talento, todo dom vem do Pai das Luzes.
Cansei de ver os ditos pregadores expositivos citarem mais os teólogos e suas posições, que na grande maioria dos casos basta-se a sua geração, do que citar os textos bíblicos. E o que vamos fazer para entender a mensagem do Novo Testamento se relegarmos ao limbo todo caldeirão cultural em que ele está inserido?
O que João combate ao escrever a sua narrativa do Evangelho e nas suas Cartas?
O que vamos dizer de Paulo, homem extremamente culto e que faz uso dos ganchos culturais existentes para apresentar o Evangelho de Cristo?
Durante o ministério de Cristo e na instalação da Igreja com o Livro de Atos e as diversas Cartas, não encontramos cerceamento da arte ou cultura em nenhum lugar, existe a premissa de que tudo seja para a glória de Deus.
E para a glória de Deus deve ser usado.
O que é a gloria de Deus?
Que glória possui o homem que dela Deus necessite? Ele é o Senhor da Glória!
Tudo o que fizermos deve ser voltado para o louvor do Nome do Senhor reconhecendo em cada coisa a sua glória. Ora, somente os que são alvo da Graça Especial é que possui tal entendimento, mas isso não indignifica quem reconhece no homem comum o talento artístico que o Senhor concedeu por sua graça. Ele, o artista, não usou esse dom com o devido propósito, mas, se algum pregador, escritor, teólogo usar tal citação, deve faze com tal propósito.
Alguns pontos nos Is:
Não se pode creditar o cristianismo exclusivamente ao simplismo. Ele não é uma revelação específica para os incultos, toda gente foi alvejada pela semeadura da Palavra, os mais simples responderam com uma maior aceitação, mas, cuidado! O Evangelho não é uma apologia a estagnação, a acomodação nem a deseducação de um povo, pois quem tem fé caminha, progride, aprende, não para, segue sempre.
Muitos intelectuais se somaram ao cristianismo e contribuíram para que o próprio Novo Testamento pudesse ser construído literariamente (sabendo que Deus conduziu todo processo). Mas, cuidado! Tornar a mensagem cristã recheada de academismo é um pecado grotesco e que tem sido despejado do púlpito de muitas Igrejas.
Perceber, compreender, admirar a arte em nossa volta, mesmo que não seja “evangélica” é um dever nosso. Paulo asseverou: “Examinais todas as coisas, retendes o que é bom”. O que não se pode e criar uma atmosfera idolátrica em torno dos artistas em que reconhecemos um talento nato e admirável.
O temor do Senhor é o princípio da sabedoria. Portanto, com sabedoria, temor, amor e prudência, devemos construir a teologia de nossa geração, usando com cuidado citações, quando convier e dentro do contexto do louvor ao Nome do Senhor, reconhecendo a Sua glória.
Em fim, vivamos como novas criaturas em Cristo, mesmo num mundo pavoroso que jaz no maligno, mas não caminhemos em paranóia como se Deus não permitisse ao homem comum, por sua graça comum, construir coisas belas. Façamos a Palavra habitar em nós ricamente e, assim, sermos capazes de discernir o mundo a nossa volta.
Por que glorificar (servir) a Deus pode ser fazer sapatos e vendê-los a um preço justo, como disse Lutero.  

sábado, 14 de julho de 2012

Eu Creio Só!





Não!
Não se trata de um libelo a solidão.
Nem de uma apologia ao desigrejismo.
Nem tão pouco de um apelo ao isolacionismo.
Até porque já disse o poeta: “É impossível ser feliz sozinho”. E ainda que seja possível, não é bom, pois está escrito: “Não bom que o homem esteja só”.
Trata-se de um princípio norteador de minha caminhada cristã. Da construção do Evangelho de Cristo em mim, e assim sigo, nunca só, mas...
Eu creio só!
Não libero a minha fé a ninguém, não vivo a tiracolo de nenhum grande ou pequeno teólogo midiático, por quem aprendemos alguma coisa e desaprendemos outras. Não dependo da carona de ninguém para crer, creio no Deus que na cruz por mim morreu e ressuscitou e me aguarda na mansão celestial.
Eu creio só!
Ninguém faz minha oração. Sou eu que tenho que entrar em meu quarto secreto, o quarto da bagunça, e ali, o Pai que vê em secreto, recompensa. Minha oração é minha. Ninguém pode orar em meu lugar. Sou eu que oro, embora não sabendo, mas, sabendo que o Pai sabe que eu não sei, e assim, me entende.
Eu creio só!
Tenho que diariamente ter meu encontro com a Palavra Sagrada e dela me alimentar. Sou eu que tenho que me disciplinar e mastigar cada versículo como quem saboreia seu jantar mais precioso. Ninguém lera por mim, ainda que alguém leia para mim, minha leitura ninguém fará.
Eu creio só!
Nenhum Davi ostentará sua funda a derrubar os Golias que me assaltam na vida. Minhas lutas e desafios são meus, minha cruz carrego com galhardia, não delego a ninguém as minhas tribulações, ainda que conforto alguém possa me proporcionar, sou eu que tenho lutar e vencer minhas batalhas.
Eu creio só!
A comunidade sou eu com os outros, mas não me cabe cobrar a perfeição ou decretar condenação, mas ser instrumento de união, de amor, fé e esperança. A Igreja está em mim, e sendo assim, faço-me Igreja quando abarco outro em minha vida e quando sou pelo outro abarcado. Mas, sou eu que tenho que ser Igreja.
Eu creio só!
A proclamação a mim confiada é minha, não delego a ninguém tal função, ainda que na terra em que eu não possa ir outro proclame o que eu proclamo, pois tal missão é dele. Minha missão é minha, não posso confiar a ninguém, mesmo que apenas uma única pessoa evangelize, sou eu que tenho que evangelizar, pois é meu dever.
Eu creio só!
Embora não esteja só.
Cada um deve crer só.
Pois o encontro com o PAI é único, pessoal, intransferível.
E assim, cada um soma-se a outro um e mais outro e se fazem todos.
E todos são um.
Assim como o PAI e o FILHO.
E dessa forma reconhecerão o Cristo em nós.

N’Ele, que não me deixa crer sozinho.