quinta-feira, 8 de março de 2012

Deus Existe





           Deus existe!
            Existe?
            “Eu o encontrei” dirá alguém.
            Que expressão mais simplória e desassociada de um embasamento coletivamente concreto e científico. Até parece uma frase medieval ou mesmo uma dessas idiotizações religiosa que abundam em nosso cristianismo de mercado.
            No entanto, a comprovação da existência de Deus se dá em níveis absurdamente paradoxais que nos leva do concretamente visível - mas invisíveis, ao que é tão somente uma experiência individualmente mística no interior de cada um, que só ele vive e não se pode provar nada.
            Deus não se preocupou em comprovar sua existência através dos métodos sensoriais e empíricos humanos. Porém, “Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia as obras de suas mãos” (Salmos 19.1), ou seja, a própria natureza em suas manifestações ecossistêmicas testemunha uma simetria funcional engenhosamente perfeita, e metricamente obedientemente as “leis” naturais que a regem. Se isso não ajuda a comprovar que Ele existe, pelo menos nos inquieta quanto o “porque” dessa maravilhosa criação.
            Não! Não!
            “Eu quero fatos. Fatos. Dê-me um fato que prove que Deus exista”
            Alguém me abordou certo dia.
            Ora, dê-me um fato que não o comprove.
            Teoria da evolução?
            Precisaremos evoluir um pouco mais.
            Os testes dos carbonos, o desenvolvimento científico, as confusões religiosas, etc.
            Esqueceram que o homem tateia no que já encontrou existindo, que Deus criou um ser conscientemente progressista e que Ele, não é patrimônio de nenhuma religião, nem mesmo do cristianismo, nem tão pouco da ciência. O homem olha para o universo e torna-se presunçoso pelas suas conquistas, porém, “Ele (Deus) chama as estrelas pelo nome, e pelo seu poder nenhuma delas lhe desobedece”.
            Há também a comprovação subjetiva interior de sua existência. O que acontece unicamente no campo do seu homem-interior, ambiente onde o teu espírito experimenta uma comunicação íntima com o Espírito de Deus e não haverá nada nesse mundo que lhe demova a certeza e a convicção que encontrou o Senhor.
            Aliás, foi por Ele encontrado.
            Essa experiência nos dá uma percepção espiritual da realidade, que “discerne por fé e não por vista”.
            E não é que acaba sendo assim mesmo!
            Deus existe! Eu o encontrei!
            Corrijo: Ele me encontrou.
           
            Soli Deo Glória.     

quarta-feira, 7 de março de 2012

Mulher...



“Ó mulher, grande é a tua fé!”
(Mateus 15.28ª)
            O universo feminino é bem presente em minha vida. Tenho cerca de dez companheiras de trabalho, com as quais partilho as labutas diárias pela sobrevivência, assim como planos e sonhos, acertos e fracassos. Em casa compartilho a existência com duas guerreiras, esposa e filha. Nas aulas que ministro nos fins de semana a grande maioria do alunado, com os quais caminho no aprendizado das doutrinas cristãs é formado por mulheres: empresárias, professoras, dentistas, fisioterapeutas, enfermeiras, donas de casas, vereadora, etc. Durante o seminário, pude conhecer valorosas mestras, apologetas do Evangelho que com carinho me ajudaram na arte de organizar as idéias e projetar o pensar. Quando recordo a tenra infância revejo minha heróica mãe, com quem tomei contato com a Bíblia e suas histórias.
            Aprendi a ler, lendo a Bíblia.
Grande parte da minha formação de caráter e fé foi provida pela força, exemplo e determinação dessas tantas mulheres que lapidaram minha forma de ser e jeito de viver.
Tenho sorte de ter vivido e convivido com elas.
Abomino toda violência e discriminação à mulher. Progredimos muito, reconheço, mas, ainda é preciso melhorar bastante na proteção e praticabilidade das leis em defesa da mulher.
Não compreendo e me indigno com a forma da cultura popular que travestiu a agressão à mulher em letras, músicas e danças que deturpam valores e expõe o corpo e as fragilidades femininas como arte, alçando o machismo e o fetichismo às glórias sociais.
E assim, a mulher que outrora nas canções, como a de Otavio de Souza e Pixinguinha era tratada de “divina e graciosa / estátua majestosa / do amor”; agora é reconhecida pelo grito tribal: “só as cachorras!”. Ou ainda a idéia de puro desejo pervertido: “Aí se eu te pego!”.
Também, é pertinente uma reflexão na maldade e perversidade da religião para com a mulher. Geralmente ela é sempre culpada de tudo. Sua culpa era inflada na Idade Média e sobre ela recaíam todos os rigores punitivos de uma sociedade e cultura caolha para consigo mesma. Entre os mulçumanos uma das expressões de maior horror e violência à mulher é a burca. Cito essa, mas poderia tecer um rol de atos infames praticados diariamente contra elas.
Não apenas essas religiões, mas se olharmos para a grande maioria delas há sempre um desumano e impiedoso tratamento as mulheres. Ora, e em  nosso cristianismo de mercado, cheios de paranóias e que faz de usos e costumes um valor acima das verdades bíblicas, encontramos esse vil tratamento às mulheres. Tanto que já sofri muito para ensinar a muitas e seus esposos, escravizados pelos sistemas torturantes da religião, que calça comprida não é pecado, que se pode usar batom e brincos, que pintar o cabelo não tira a unção, que depilação não é coisa do capeta, etc. Cansei de ver em minha infância evangélica, na década de 80, líderes do alto do púlpito espinhar as mulheres pela queda do homem, inocentando Adão.
É a burca do cristianismo, sempre em cima da mulher. O homem? Ah o homem, tudo pode, pois a mulher tem de lhe submissa e ganhá-lo em silêncio.
Atente que os textos implícitos acima estão no tom irônico que deles se fazem usar e assim garantir a supremacia masculina.
Não existe maior restaurador do valor da mulher do que Jesus Cristo, o Redentor. Elas estão por toda parte de seu ministério, seja na figura extraordinária de sua mãe, Maria, demonstrando o caráter e a fé de uma escolhida de Deus, fluindo força e doçura desde o anúncio na miraculosa maternidade a espectadora de sua morte na cruz. Seja no poço de Jacó, em Sicar, onde o Mestre, a uma mulher samaritana apresenta-se em plena humanidade: “dá-me de beber”; bem como se revela plenamente divino: “Eu que falo contigo”, e ela, a samaritana, corajosamente o testemunha em sua cidade levando-os a conhecê-lo e crer n’Ele.
Há mulheres que o seguiam e com os seus bens financiavam o ministério de Cristo. Há mulheres que d’Ele recebem o maior elogio de fé: “Mulher, grande é a tua fé”.
As mulheres não abandonaram Jesus. Diferentemente dos apóstolos e discípulos, assustados, escondidos e pasmos ante os acontecimentos, elas preparam ungüentos e perfumes para o seu corpo, e sem medo foram ao sepulcro, apesar dos perigos. E foram elas as testemunhas da ressurreição, maior de todas as mensagens cristãs.
Deus ama as mulheres!
A razão desse artigo é este amor e meu profundo reconhecimento e admiração por todas as mulheres desse Brasil.
Feliz dia Internacional da Mulher!

domingo, 4 de março de 2012

O Problema é a Bíblia Que Atrapalha


“Os espíritos dos profetas estão sujeitos aos próprios profetas;
porque Deus não é de confusão e sim de paz”
(1ª Coríntios 14.32,33ª)

            A caminhada cristã é feita na estrada dos absolutos.
            Por esta razão os profetas bradaram sua voz contra poderosos reis, sistemas religiosos corruptos e a própria cultura adoecida de suas gerações. O elemento solidificador de sua mensagem era a inspiração divina, que com severidade ecoava: “Assim diz o Senhor”.
            Reformas como a do tempo de Josias (2ª Crônicas 34.1-35.19), e os reformadores como Esdras e Neemias, tiveram como coluna mestra e rocha de construção a comunicação divina através da Palavra de Deus.  Em nenhum desses momentos de tensa dramaticidade para o povo de Judá foram-lhes oferecidas “revelações” atípicas, rituais estranhos, subterfúgios místicos ou transes embriagantes, mas, o modificador da vida e das diárias do povo era a Palavra Absoluta de Deus.
            A vida e obra do Messias foram respaldadas por cerca 300 profecias a seu respeito e todas se cumpriram cabalmente. O Mestre co-relatava suas ações com o que estava estabelecido nas Escrituras. Algumas de suas afirmações acerca delas foram: que não podem falhar (João 10.35); erravam por não a conhecerem, nem o poder de Deus (Mateus 22.29); que os acontecimentos em torno do seu ser e sua história era para o seu cumprimento (Mateus 26.54,56); que ela dava testemunho sobre Ele, Jesus (João 5.39); que elas eram suficientes para o conhecimento da salvação (Lucas 16.29-31) e que era a verdade (João 17.17).
            O caminhar dos apóstolos e discípulos na implantação da Igreja de Cristo teve sempre como patamar a proclamação da Palavra de Deus. O Senhor comissionou-os a ensiná-la (Mateus 28.20). Felipe anunciava Jesus através dela (Atos 8.35). Paulo testificou sua inspiração e fidelidade (2ª Timóteo 3.16). Para Pedro - concordando com Salmos 119.105 - era como uma candeia a iluminar em lugar escuro, e jamais podia ser particularizada por indivíduos para os seus próprios desejos (2ª Pedro 1.19-21). Pedro, também tinha plena consciência de sua eternidade (1ª Pedro 1.24,25). O escritor de Hebreus a identifica como viva, eficaz e espada de dois gumes com uma ação imanentemente transcendente em toda criação (Hebreus 4.12).
            A Reforma Protestante foi um movimento de retorno ao estudo, ensino da Bíblia na prática de vida da Igreja. Nada foi tão poderoso para abalar as estruturas de poder de uma religião perdida e corrompida do que a argumentação de que a Bíblia, somente a Bíblia é a única regra de fé e prática (Sola Escriptura).
            Como podemos perceber os avivamentos na história da Igreja é uma seqüência de retornos a obediência ás Escritura Sagradas.
            Para os protestantes, os “crentes”, a Bíblia está acima qualquer outra revelação, tradição ou concílio. Aliás, qualquer sonho, qualquer profecia, qualquer movimento, qualquer avivamento, qualquer prática, qualquer ensino tem que se coadunar com a Palavra, de outra forma seja anátema, ainda que seja um anjo a bradar. (Gálatas 1.8)
            Eu pensava que era assim!
            Visite uma “igreja” em qualquer dia, qualquer “culto”. Principalmente aquelas dos novos movimentos, dos “moveres”, dos “mistérios”, as neo-pentencostais e você testemunhará o absoluto da Palavra de Deus, a Bíblia, ser descaradamente colocada em segundo plano, esquecida, relegada, ou ainda pior, distorcida e aviltada.
            Adivinhações, “visões”, profecias antropocêntricas, mensagens de auto-ajuda, metralhadoras para matar o capeta, gente rodando como carrapetas sem razão, disparate de falação em línguas e promessas de vitórias subjetivas e sofismadas que não se concretizam. Some-se a isso a música sendo usada como um mantra hipnotizante que induz os participantes a gestualidades assustadoras e paranóicas.
            Meu Deus! Meu Deus!
            Que “igreja” é essa?
            Em que parte não entenderam: “ ordem e decência”?
            Em que lugar foi perdido a cristocentricidade do Culto?
            Em que lugar aprenderam que o Pai, o Filho e o Espírito vivem a nos servir como garçons celestiais a nos fornecer como marmitas as “bençãos”, que nada são a não ser desejos mesquinhos de vil metal e de pisar, humilhar e derrotar quem por alguma razão nos ofendeu?
            Cansei de ver pregadores que nem sequer a Bíblia consultava para suas prédicas. Ficava deveras confuso com essa anti-prática cristã, até que compreendi o problema da Bíblia, é que ela, nesses casos, só atrapalha.

            Em Cristo, a Palavra da Verdade.  
                                

sábado, 3 de março de 2012

Precisamos Saber



“Dize estas coisas; exorta e repreende também com toda a autoridade”
Tito 2.14

Algumas vezes no meio de uma explicação bíblica sou questionado por uma frase supostamente carregada de forte argumentação:
“Não ponha cabresto em palavras!”
Apesar de bela e intrigante, ela é tão somente angustiante e poética, não lhe cabe assertivas teológicas nem instigações filosóficas. Revela em si um ser sem chão de existência, que tenta nos resignificados construir realidades coniventes com as situações e vivências do tempo – idéia.
“Uma metamorfose teológica ambulante”
Trata-se, apenas, um malabarismo neoliberal, neo-ortodoxo de tentar fazer a compreensão de verdades inalteráveis, inquestionáveis e pétreas em condicionamentos históricos – críticos transformando a Palavra de Deus e o Deus da Palavra reféns das decodificações espaço – temporal que nossa limitada mente consegue captar em cada geração.
Esse é um conceito puramente poético. Válido para o vagar do poeta sonhador que deitado na verde relva de um campo florido, contempla a procissão das nuvens lhes dando formas e funções que só ele vê.
Para a nossa saúde teológica e de vida cristã, precisamos o rumo das palavras porque foi com as tais que Deus especialmente revelou-se. Há dificuldades enormes, por isso o caminho de uma contemporalização que não considera o cabresto da palavra nos lança no abismo do enganoso coração humano (Jr 17.9).
Que fazer?
Precisamos saber que a Palavra de Deus, a Bíblia é inspirada não por causa dos seus autores (escritores), mas por quem lhes deu a inspiração, e que isto a torna inerrante. Não impossibilitando que os copistas no decorrer dos séculos possam ter acrescentado algum vocábulo em equívoco, tendo em vista que a inspiração não foi mecânica, no entanto, seu conteúdo e essência codificados registram a norma divina sem falhas.
Precisamos saber que em cada fase histórica da Revelação Divina pela palavra, havia uma gramática a ser percorrida e pela qual a palavra foi inserida em seus signos e significados dos quais necessitamos aprender, para que assim, possamos equacioná-la em nossa gramática – histórica.
Precisamos saber que cultura e novos conceitos sociais não dasabonam os princípios estabelecidos pelo Senhor. Eles não foram construídos na forma do homem, mas no atributo de Deus, é por essa razão que mudamos sem mudar, por mais tecnologia e desenvolvimento que produzimos, nossa angústia de alma permanece a mesma dos primeiros tempos.
Precisamos saber que a própria Igreja Cristã errou no decorrer dos séculos quando não perseverou em instigar o povo em buscar o conhecimento, abrindo brechas para métodos interpretativos duvidosos e que geraram grande parte da confusão “evangélica” de hoje.
Precisamos saber que é por causa de não mais buscarmos os “cabrestos” das palavras que “igreja” virou um lugar, que louvor e adoração transformaram-se no momento musical de uma liturgia, que teologia e doutrina viraram assuntos acadêmicos e não prática de vida para o povo cristão, que a Bíblia passou a ser usada para fundamentar heresias e seitas abomináveis, que sacerdócio virou função para pastor, missionário ou obreiro e não roteiro existencial de cada um de nós.
Precisamos saber que apesar das “metamorfoses ambulantes”, a Bíblia nos ensina que o amor (considere o contexto), nunca será ódio, que perdão nunca será negligência a justiça, que Deus nunca será um ídolo, que perseverar na doutrina dos apóstolos nunca será fundamentalismo (no conceito pejorativo da palavra), que contextualização e contemporaneidade nunca serão relativismo, que os novos e desafiadores teólogos “emergentes” nunca substituirão o quebrantado de coração.
Precisamos saber que mesmo em face das novas fronteiras desafiadora do atual século, Ele (Jesus) é a Verdade, e o Caminho, e a Vida, e somente através d’Ele encontramos acesso ao PAI. (João 14.6).

Em Cristo, do qual precisamos sempre saber.                         

sexta-feira, 2 de março de 2012

Série: O Evangelho Puro e Simples

Pastor Cláudio Antônio

VOCAÇÃO EFICAZ
“As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem” (João 10.27)
INTRODUÇÃO

Vocação Eficaz ou Chamado Eficaz é o chamado que Deus direcionou aos eleitos na Pessoa de Cristo. Esse chamado à salvação é expressão da livre graça de Deus, à qual o homem é habilitado, pelo Espírito Santo, a responder por meio da fé em Cristo Jesus.
Através da Vocação Eficaz os homens são atraídos livres e eficazmente a Jesus Cristo, sendo para isso dispostos pela graça de Deus (Ef.2.8).
A Vocação Eficaz é a obra do Espírito Santo, pela qual ao convencer-nos do nosso pecado e da nossa miséria, iluminar nosso entendimento pelo conhecimento de Cristo e renovar a nossa vontade, nos persuade e habilita a abraçar Jesus Cristo, que nos é oferecido de graça no Evangelho (2 Tm.1.8-9; Ef.1.18-20; At.2.37; At.26.18; Ez.11.19; Jo.6.44-45; Fp.2.13; Ef.2.15).

I – DUAS FORMAS DA PALAVRA VOCAÇÃO

Vocação tem sido reconhecida na Teologia Reformada como vocação ou chamamento “exterior” e “interior”. O primeiro é o chamamento da Palavra pela qual todos os pecadores são graciosamente convidados a Cristo, para que tenham vida e salvação Nele. Contudo, este chamamento é insuficiente em si para habilitá-los a ir a Ele.
O segundo é o chamamento interior do Espírito, que acompanha a Proclamação da Palavra, pelo qual o pecador não só é convidado a Cristo, mas também interiormente capacitado a abraçá-lo, conforme Ele é graciosamente oferecido nos Evangelhos.

II – PAPEL DO ESPÍRITO SANTO

O Espírito Santo nos dá a visão clara da culpa de nossos pecados e um reconhecimento da ira de Deus e das misérias do inferno (Jo.16.8-11). Isso fere nossa consciência e faz-nos perguntar: “Que devo fazer para ser salvo?” (At.2.37; 16.30).
O Espírito realiza essa tarefa pela lei – “Pela lei vem o pleno conhecimento do pecado” (Rm.3.20).
O Espírito ilumina a nossa mente apontando-nos a Cristo, pois nEle, isto é, no conhecimento de sua pessoa, justiça, poder, etc., nós seremos renovados em nossa vontade e somos capacitados a nos voltar a Cristo como Salvador e Senhor (Jo.6.37; 44-45; At.26.18).
O Espírito Santo é quem renova a nossa vontade, colocando novas inclinações e fazendo com que estejamos dispostos a abraçar incondicionalmente Jesus Cristo pela fé (Ef.1.19,20; Ez.11.19).

III – PAPEL DA PALAVRA DE DEUS

O Espírito Santo usa a proclamação da Palavra de Deus para o chamamento divino dos escolhidos (Jo.6.44,45; Rm.10.17; 2 Ts.2.13,14; 2 Tm.1.9-10). Esta proclamação aponta para Cristo, o Senhor e Salvador (1 Ts.5.9,10). A livre e especial graça de Deus é manifestada para que este chamamento seja eficaz (Ef.1.5; Tg.1.18).

IV – ELEMENTOS DO CHAMAMENTO DO EVANGELHO

A pregação efetuada por cada salvo são incluídos três elementos importantes.

1 – EXPLICAÇÃO DOS FATOS CONCERNENTES A SALVAÇÃO

Deve-se incluir:
a) Todas as pessoas pecaram (Rm.3.23);
b) A pena pelos pecados é a morte (Rm.6.23);
c) Jesus Cristo morreu para pagar a pena pelos pecados (Rm.5.8).

Este entendimento não é suficiente para uma pessoa ser salva. É preciso haver um convite.

2 – CONVITE PARA RECEBER CRISTO PESSOALMENTE COM ARREPENDIMENTO E FÉ – Mt.11.28-30

Tem que haver uma resposta pessoal a um convite da parte do próprio Cristo, e não de outro qualquer. O convite é feito agora e que a resposta deve ser imediata (Jo.1.11-12). Receber Cristo é uma atitude individual e pessoal (Ap.3.20).
Qualquer pregação genuína do Evangelho deve incluir um convite para uma decisão consciente de renunciar os próprios pecados e de ir a Cristo com fé, pedindo perdão pelos pecados. Negligenciando isso não há uma proclamação do Evangelho plena e verdadeira.

3 – PROMESSA DE PERDÃO E VIDA ETERNA

Cristo promete aos que se chegam a Ele com arrependimento e fé, o perdão e a vida eterna (Jo.3.16; At.2.38; 3.19).
Aliada à promessa de Perdão e Vida Eterna deve estar a garantia de que Cristo aceitará todo aquele que se achega a Ele com arrependimento sincero e fé buscando a salvação, porque foi enviado a Cristo pelo Pai (Jo.6.37).

CONCLUSÃO

Até as crianças são incluídas nesta vocação, pois o Espírito opera, quando, onde e como quer (Gn.17.7; Lc.18.15-17; Jo.3.8; At.2.39; 4.12).
Por outro lado os não eleitos jamais chegarão a Cristo e, portanto, não podem ser salvos (Mt.13.18-20; 22.14; 1 Jo.2.19).
É importante que cada salvo seja instrumento do chamamento do Evangelho pela proclamação, porque se não houvesse o chamado do Evangelho, os eleitos não seriam salvos (Rm.10.14).

A Morte de Um Servo de Deus




“Preciosa é aos olhos do Senhor a morte dos seus santos”
Salmos 116.15
            É sempre difícil lidarmos com a morte. Somos seres da vida. Criados para viver e que por errar o alvo passamos a experimentar o terror da morte. Virou a certeza máxima de todos enquanto nesta terra, pois sabemos que ao final de nossa caminhada havemos de enfrentá-la, preparados ou não. Igualitária e justa não faz distinção entre classes sociais nem entre poderosos e desfavorecidos, todos estão sob o rigor do seu domínio.
            E por causa de nossa compreensão de vida, mundo e existência estar sempre sendo construída a partir da medida do homem, tudo é trágico, ou normalidade sem sentido.
            Um dos impactos do cristianismo em face das propostas religiosas e filosóficas ainda sob a égide do Império Romano, foi justamente a forte mensagem que redefinia a morte e a vida. Em vibrantes antíteses a vida poderia ser morte e a morte vida. No centro vital da mensagem era a não finitude diante da morte. Ela não era a etapa final de nossa existência e havia como vencê-la, crer em Cristo Jesus. Mesmo em meio à dor da perda de seu amadíssimo irmão, Marta e Maria são surpreendidas pelo revelar do Senhor acerca da morte e da vida. (João 11).
               A fé genuína no Filho de Deus nos conduz a um caminho que rompe com todas as impossibilidades para o homem. No entanto, a morte permanece como um condicionamento a todo ser vivo até a manifestação da gloriosa volta do Senhor quando a própria existência será transformada em natureza divina.
            A mensagem do Evangelho tem sido profundamente prejudicada por uma grande parte da “Igreja Evangélica” de hoje. O triunfalismo que assola as mensagens em muitos púlpitos, associada a uma visão antropocêntrica no culto, tem causado uma paralisia no pensar bíblico e uma miopia para a vida cristã. Mensagens como “pare de sofrer”, ou “todo sofrimento acabou”, trás uma idéia contrária ao que expõe o Evangelho construindo na cabeça do incauto “crente” a utopia de um campo força que o protege de tudo e de todos. Uma redoma impenetrável que o mantém a salvo de toda tribulação. Um “reino” de Deus cuja realização se dá no mundo caído. Essa teologia sofre abalos sísmicos diante da morte, às vezes repentina dos servos de Deus.
            Fechamos os olhos para livros como o de Jó?
Ou para a galeria dos heróis da fé em Hebreus 11, ou ainda, com a história eclesiástica com episódios marcantes, muitos deles descritos na obra de John Fox, O Livro dos Mártires?
Tribulação, perseguição e morte seguem a história do cristianismo sem, contudo ser um fim em si mesmo, mas, parte do enigma da Graça, que nos transforma em adoradores e não consumidores; filhos e não clientes; servos e não sócios de Deus.
Aprendamos com a narrativa bíblica a compreender tempos e tempos, a decodificar os mais dolorosos acontecimentos e as mais duras perdas dentro da soberania de Deus, que sendo verdadeiramente Deus faz todas as coisas cooperarem para o bem daqueles que o amam.
Aprendamos com a narrativa bíblica a nos mantermos firmes na fé, no amor e na esperança ainda que a figueira não floresça, a terra não produza o grão, o gado seja arrebatado do curral e a videira não floresça, todavia esperarei e louvarei ao Deus da minha salvação.
Em Cristo, que venceu a morte.
P.S: Este texto foi escrito com profundo pesar pela morte de forma trágica do homem de Deus Bispo Robinson Cavalcante e sua esposa Mirian. Foram assassinados a facadas pelo filho adotivo, em casa, quando voltaram do culto na Igreja Anglicana do Recife. Servo do Senhor, que deixou um legado de luta pela democracia e pela melhora na vida dos menos favorecidos, além de um teólogo coerente com suas convicções.
P.S: A tragédia é para os homens não para Deus.  

Se Eu Quiser Falar Com Deus


“...e teu Pai, que vê em secreto te recompensará” (Mateus 6.6.b)

            Se eu quiser falar com Deus é necessário quebrar os paradigmas da comunicação divina pelos padrões e óticas institucionais das religiões que se arvoraram do direito a Deus. Não preciso de padres, bispos (católicos ou protestantes), pastores ou qualquer tipo de sacerdotização do homem pelo homem. (1 Pedro 2.9)
Deus está em mim, eu, em Deus. (João 17.21)
Se eu quiser falar com Deus, é preciso também despedaçar meus mitos e a dogmatização de mim mesmo, me desidolatrar das manias de méritos diante d’Ele. Essa idéia fixa que temos que nos faz pensar que somos seres merecedores de todas as bênçãos possíveis de Deus, chegando ao ponto de até cobrá-lo pelas “promessas”.
É a sua misericórdia renovada a cada manhã que nos permite existir e construir um novo dia. (Lamentações 3.22)
Se eu quiser falar com Deus não preciso de lugares mágicos. Não necessito do ar de Comportela, das águas do Jordão, da areia do Egito, nem da fumaça de Roma. Também descarto subir os montes onde imponentes estátuas permanecem mudas. (Mateus 18.20)
Essas coisas não me farão chegar mais perto d’Ele.
Deus está aqui, enquanto escrevo este artigo. Não há impedimentos geográficos, temporais, nem dimensionais. (Mateus 28.20.b)
Se eu quiser falar com Deus nem mesmo das palavras necessito, porque Ele ouve e sabe a voz da minha alma, o pulsar do coração e a textura das lágrimas.
Às vezes nem falo, mas Ele me ouve. (Salmos 139.4)
Deus mesmo nos assiste com gemidos inexprimíveis, através do Espírito. (Romanos 8.26)
Para que eu possa falar com Deus, Ele, na cruz rasgou o véu da separação existencial religiosa, véu da ignorância, véu dos absurdos em seu “nome”, véu da indiferença; todos os empecilhos, todas as distâncias, todas as friezas, tudo foi rasgado e um novo caminho aberto para os encontros diários com Ele.
Deus não está limitado e para Ele não existem fronteiras.
Para que eu possa falar com Deus devo criar um novo caminho em mim e quebrar as crostas do egoísmo, as camadas da intolerância, refrear o mau pensar, o mau olhar, o mal querer. Viver além de mim e descobrir no próximo valor e amor. (1ª João 4.7-8)
Deus não isola as pessoas, não segregaciona, mas, ensina a desenvolvermos verdadeiros e sinceros relacionamentos. (Romanos 12.10; Colossenses 3.11)
Para que eu possa falar com Deus não é necessário palavras de grande elucubração, filologias, semânticas, não! Basta minha voz (do corpo ou da alma), basta meu simples jeito, sem jeito diante do Pai que num abraço divino de fé e amor sussurra: Filho! (1ª João 3.1)
Deus não se impressiona com alguma capacidade humana, mas o seu amor impressiona e constrange.
Se eu quiser falar com Deus devo quebrantar-me e clamar: Aba, Pai!

Em Cristo que está sempre pronto a ouvir o meu (e o seu) clamor.