terça-feira, 20 de março de 2012

O Azorrague de Jesus Desmantelando o Comércio da Fé


 
Um dos eventos mais interessante no ministério terreno de Jesus e que se encontra em harmonia com a narrativa dos quatro evangelhos, é sem dúvida o episódio de sua visitação ao templo e conseqüentemente sua explosiva reação ao constatar o que era realizado ali: um formidável, explorador e lucrativo comércio da fé (João 2.13-17). Jesus - descreve a narrativa bíblica, tendo feito um azorrague (chicote feito de cordas torcidas), derrubou as mesas dos cambistas, dos que vendiam pombas, bois e outros acessórios expulsando-os do lugar, coroando esta surpreendente atitude com a expressão repetida do Salmo 69.9 “O zelo pela tua casa me consome”, e tendo como justificativa para tal, o descaminho que as autoridades eclesiásticas haviam dado para o propósito de existir do templo: “A minha casa será chamada casa de oração”(Mateu 21.13) Não façais da casa de meu pai casa de negócio”(João 2.16).

            Ora, esse comércio era necessário por causa da dinâmica ritualista judaica quanto ao sacrifício de animais em favor dos pecados do povo. E, como na páscoa - festa pétrea e obrigatória no seu calendário religioso - subiam para Jerusalém judeus oriundos de todas as partes do Império Romano, e considerando as distâncias, tornava-se quase impossível o transporte de animais em plenas condições para o sacrifício. Então, percebendo isso, os comerciantes da cidade instalando-se nos arredores do templo, ofereceriam esses animais nas condições ideais que o ato religioso requeria, poupando os peregrinos desse dispendioso transporte.
            Até ai tudo bem!
O problema começou com a ganância inerente da raça humana e os olhos ávidos dos sacerdotes que passaram a lucrar com esse comércio, tornando-se sócios dos comerciantes e permitindo que adentrassem nos espaço geográfico do templo e, ainda, cobrando um ágio de fazer arrepiar qualquer especulador da Bolsa de Valores de Nova York.
            O sacrifício pacífico pelo pecado, que na Lei era um meio de graça, foi transformado no comércio da desgraça religiosa. Imagine o desespero dos pais de família tendo que cumprir a norma da fé, e ver as economias de todo um ano de trabalho suado esvair-se naquele ritual. E se algum peregrino trouxesse um animal, por mais correto que estivesse seria rejeitado pelo sacerdote. Tinha que comprar daqueles comerciantes. Ou seja, uma máfia eclesiástica já havia sido estalada em torno da religião, aproveitando da boa fé dos peregrinos.
            O azorrague de Jesus denunciou e desmantelou esse comércio!
            Ah! O azorrague de Jesus abre sulcos na hipocrisia e avidez dos que somam graça e fé com exploração alienante.
            Aqueles vendilhões foram expulsos, no entanto, em nosso tempo, um novo tipo de vendilhão surgiu, e se mostra com força e vontade de abocanhar as finanças dos já carente e simplório cidadão.
            Tenho observado com muita indignação e tristeza o que muitos líderes chamados “homens de Deus” tem feito com a mensagem da graça do Evangelho de Cristo. É cada vez maior a participação desses cidadãos na televisão brasileira, fazendo uma mutilação do texto da Bíblia e contribuindo para o desnível de nossas programações televisivas e, em tabela, promovendo uma verdadeira alienação do povo.
            Alguns chegam ao disparate de afirmar que aquela sua palestra, pregação ou show, vendido a preços módicos (????) irão definitivamente abençoar e trazer uma unção a quem comprar. E que através disso (deles) será inaugurado no Brasil um verdadeiro avivamento, um novo Pentecoste. Outros vendem objetos como toalhas abençoadas, cruzes com terra de Israel e água do rio Jordão, colunas da vitória, correntes, espadas, flores...ufa!
Vejam só! Foi revivido o tenebroso culto as relíquias e, não demora, veremos esses “homens de Deus” cobrar até por uma oração.
            O cristianismo se tornou um excelente negócio onde verdadeiros impérios foram montados, e as “igrejas” têm-se multiplicado pelo país com a mensagem de uma cura fácil, de uma prosperidade meramente material, de um deus (minúsculo mesmo), circunstancialmente financeiro, pelo qual, os meios justificam os fins e, a mensagem do apertado, longo e espinhoso caminho da cruz, têm se tornado um colorido e largo atalho de flores.
            Percebo que a vida e obra de ilustres personagens da história da igreja cristã não servem de alento e inspiração para boa parte dos cristãos de hoje, alienados com as perspectiva das bênçãos infindas e fáceis, onde é o nosso bolso que indica o grau de nossa fé e compromisso. Um são Francisco de Assis, nem sequer seria ouvido hoje. Um são João Batista, então, talvez sujasse as igrejas e escandalizasse os irmãos com os seus modos e comidas exóticas. Um Paulo de Tarso seria, talvez, rejeitado pelos concílios. E Jesus? Ah! Jesus, quem sabe, fosse crucificado novamente, pois, a sua mensagem de negação pessoal, aquela história de tomar cada um a sua cruz para segui-lo, não encontraria eco em nosso tempo onde reina uma teologia da sombra e água fresca. Onde muitos querem renunciar a sua cruz largando-a nos ombros machucados de Cristo.
            O abominável comércio da fé quer se apropriar do mais sagrado na mensagem de Cristo Jesus, a graça de Deus.
            Se e graça é graça!
Favor imerecido!
Bem que se tem sem merecer!
Se eu precisar pagar, nem que seja uma promessa de areia da praia na beira do mar, a graça deixa de ser graça e passa a ser mérito, e o Deus do amor e da graça transforma-se em um deus da barganha e do sádico lucro sacrificial feito pelo homem tentando alcançar a salvação, que Ele, o Senhor, oferece graciosamente em Cristo Jesus.
            Ah! O azorrague de Jesus abriria sulcos nessa auto-gerência da graça, nessa auto-afirmação dogmática, nessa auto-suficiência intelectual da fé, nessa mania de criar um deus a nossa medida de acordo com os nossos vis propósitos, nessa mania de mérito, nessa mania de ser como clientes, com direitos adquiridos para serem exercidos nessa religiosidade paradigmática, nessa mania de querer ser nós o nosso próprio deus. Esse azorrague quebraria a crosta hipócrita dessas concepções messiânicas e nos conduziria a um exercício de humildade, rendição, submissão e gratidão a Deus, que em Cristo nos salva e no Espírito Santo confirma que É.
            Então, as nações reconheceriam que a Igreja de Cristo, não pertence aos fulanos do mundo, não se comercializa, não negocia os seus valores, mas é um Templo – cada componente desta Igreja, e quando reunidos – de adoração, serviço e fé que abençoa todas as famílias da terra.

            Em Cristo, que nos chamou: Igreja!

segunda-feira, 19 de março de 2012

Caminhando Com cristo


 

O caminho com Cristo surpreende o incauto peregrino.
            É com sobressaltos que tomamos conhecimento D’ele, e de como Ele é.
            É no assombro que a sua luz provoca em nossas contumazes trevas que descobrimos cicatrizes, feridas e chagas abertas em nós, ou, que causamos aos outros. Sua luz desvenda as limitações reais e verdadeiras de nosso ser e muitas outras que foram criadas com dogmas, paradigmas e preconceitos.
            Caminhar com Cristo é ser consciente dos perigos da estrada, dos obstáculos, das sinuosas curvas e os desafios que espreitam o viajante. No entanto, é na eficiente sinalização do Espírito que trafegamos confiante no imensurável desfecho da rota.
            Longe de uma peregrinação exaustivamente neurótica, ou de um caminhar enfadonho e rotineiro, essa caminhada nos conduz por paradas restauradoras, por entre reconfortantes estações e prazerosos oásis onde a poeira dos nossos pés é limpa e a fraqueza de nossas mãos transforma-se em força motriz.
            Caminhar com Cristo é redescobrir valores esquecidos por uma sociedade dominada pela febre de consumo que transforma pessoas em números, ou em coisas, e que se permite toda afronta a Deus negando-lhe a adoração. Essa caminhada produz um retorno aos princípios e valores cristãos, e eles, são inegociáveis.
            Caminhar com Cristo é ter incontáveis encontros e reencontros, e nessas inusitadas paragens reencontrar a nós mesmos, pois nos perdemos e permitimos que o mundo construa os nossos sonhos e desejos, e os sonhos que o mundo cria, são sempre pesadelos disfarçados e os desejos que nos impõem, são perversões e loucuras.
            Caminhar com Cristo é experimentar a exuberante brisa da liberdade espiritual e oxigenar nossas veias com o mais puro sopro do Divino. É saber quem somos, para onde vamos e aquecer nosso coração com as brasas do Espírito Santo.
            Essa caminhada é feita passo a passo, com vitórias e fracassos porque tudo conta como algo que contribui para o bem de quem o ama.
Logo, o que é fracasso? Que o Senhor não transforme em vitória?!!
E a vitória? Que valor ela tem se perdemos a sintonia com o PAI?!!!
Portanto, enxuga as lágrimas - embora chorar faça bem quando sabemos o limite entre o lamento profundo e necessário, e a mania de comiseração que gostamos de cultivar – e segue em frente, meu irmão-irmã; porque caminhar com Cristo é ter uma viva esperança tão esplendorosa que, mesmo que a estrada esteja no deserto, ela deve ser verdejante e frutífera.
O caminho da graça de Cristo Jesus é SAIR dessa contextualização extremamente individualista e ególatra que vivemos e IRMOS rumo a Deus e ao próximo, permeados pelo amor que Ele, Jesus, faz brotar em nossos corações.
O caminho é feito de cruzes, de arados e de poeira, no entanto (entenda) há um rio da Graça que nos lava, cura e salva....

Em Cristo, O Caminho.  

sexta-feira, 16 de março de 2012

Acusações Contra Elias


 

            Fico imaginando as coisas pelas quais Elias seria acusado em nossos dias:
            Fanatismo.
            Por que vivia pela Palavra de Deus e não pelas circunstâncias ou negociações culturais em detrimento a verdadeira adoração. Vivia objetivamente a sua fé, sem vergonha de proclamar os editos divinos que o Senhor lhe ordenava.
            Preconceituoso.
            Sim! Seria tachado de preconceituoso por não admitir que religiões pagãs tomassem lugar na terra que Deus escolhera para o Culto Santo ao seu Nome. Por não aceitar essas expressões bizarras e esdrúxulas, que em seu ápice chegavam a queimar seus filhos, ainda bebês, em seus rituais abomináveis.
            Retrógrado.
            Por que não aceitava as mudanças radicais e estruturais pela qual a nação de Israel afundava em sua vida moral. Por não acatar que os bons costumes fossem relegados e as “novidades” imorais adentrassem em meio ao povo escolhido em nome das relações comerciais. Por dizer “não” a aculturação de tudo aquilo que era inominavelmente blasfemo diante dos olhos de Deus.
            Perturbador das massas.
            Pela coragem sem medida de denunciar as autoridades, colocando o dedo na ferida e expondo o rei e toda a sua corja pelos crimes que faziam afundar toda aquela geração. Pelo protesto em público e o desafiar legítimo para que os enganadores e parasitas do poder público mostrassem a cara no confronto do Carmelo.
            Crente frio.
            Por que não pulou, não dançou, não falou línguas estranhas, não fez piruetas nem “decretou” coisa alguma pelo seu poder, mas, humildemente clamou pelo Deus que o chamou. O Senhor responde com fogo consumidor.
            Crente em pecado.
            Por que era homem frágil e em nenhum momento de sua atribulada vida recebeu qualquer “vacina anti-stress”. E, assim, sendo homem, esteve sujeito as mesmas paixões que qualquer um de nós, sujeito aos medos, e cansaços, e solidões, e conflitos espirituais.

            Precisamos despontar em nós a audácia santa de Elias. Suas coragens monumentais, sua força advinda da fé num Deus que É. Precisamos da sua obstinada certeza no valor inegociável da Palavra provinda de Deus. Precisamos de sua impetuosa presença profética, denunciando os abusos de toda uma sociedade que apodrece dia a dia chafurdando na lama espúria do relativismo liberalizante que faz agonizar a decência, a moral, os bons costumes e todos os valores cristãos.
            Que todos aqueles que amam ao Senhor possam unir-se para expressar na aplicabilidade diária de nossa fé, os padrões imutáveis de Cristo e assim, transformar a nossa geração através da força libertadora do EVANGELHO.
            Impossível?
            Elias era homem igual a nós. (Tg 5.17).

           Em Cristo, que nos chama a profetizar.

(Este artigo é parte de uma série sobre o profeta Elias, assim como o artigo anterior)

quarta-feira, 14 de março de 2012

Elias, O Profeta Sem Retété


 



“Elias era homem semelhante a nós, sujeito aos mesmos sentimentos..”
(Tiago 5.17ª)
            (1ª Reis 17-2ªReis 2.1-18)
            Elias foi um dos maiores e mais emblemáticos profetas do Antigo Testamento. Durante o seu ministério, Deus o usou profusamente. Seja na forma de instrumento para que o seu poder fosse derramado naquele povo, ora punitivamente, ora como alerta para o retorno a fé verdadeira e genuína, ou, ainda, restaurando a terra. Seja na forma de exemplo de profeta verdadeiro do Deus Verdadeiro, que se guia pela Palavra e vontade do Senhor. Alem disso, Elias permanece para a leitura do Novo Testamento como uma pré-figuração do Messias que havia de vir.
            Uma rápida leitura em seis feitos e atos heróicos pode criar uma atmosfera inexistente em sua missão, pessoa e caráter. Assim como acontece com os personagens da história, os personagens bíblicos podem parecer super-homens, capazes de proezas inenarráveis. Mas a coisa não é bem assim...
            Ciente dessa mania humana, Tiago nos alerta para o caráter de Elias, “semelhante a nós”. Desmitificando, com isso, a imaginação de quem transforma os heróis bíblicos em seres transcendentais. Tiago, ainda nos dá um choque de realidade, quando nos desperta para perceber que Deus é quem opera pelo e no profeta, restando-lhe a atitude de obediência e testemunho do “Assim diz o Senhor”.
              Tenho encontrado algumas preciosas lições na vida do profeta Elias para nossos conturbados e conformados dias:
O profeta confronta as autoridades corruptas. Diferentemente do que muitos pensam a cerca da espiritualidade cristã, ela não se restringe a um gueto religioso alienado e alienante, desprovido de qualquer percepção política, democrática e social, como as injustiças, incongruências e a corruptabilidade dos que governam o povo. Elias surge na história de Israel confrontando o rei Acabe, lançando sobre ele o julgamento de Deus. O Senhor não estava alheio a forma como a nação vinha sendo desgovernada pelo sistema daquela elite. Diferentemente dos profetas bonachões de nosso tempo, que tentam um lugar ao sol na sombra do poder secular, sempre acenando simpaticamente aos mandatários dos municípios, estados e nação na esperança de amealhar alguma glória térrea, não importando a mínima para a podridão do sistema.
A pancada de Elias era seca!
O profeta promove a fé agindo na providência. Uma das marcas mais notável em seu ministério foi à obediência ao que o Senhor lhe determinava. Essa característica permitiu que mesmo em meio a mais assoladora fome e desamparo, ele é o instrumento usado por Deus para resgatar e promover a fé aos mais desamparados e carentes daquele sistema. O encontro de Elias com a viúva de Serepta nos adverte para não esquecermos que o Deus Soberano é providente, que mesmo sem entender ou “sentir” devemos obedecer a sua Palavra, e que a sua bênção não transforma adoradores em parasitas, mas bons despenseiros da sua Graça.
O profeta confronta o sistema religioso enganador. No Carmelo Elias no poder do Senhor derrota os profetas das profetadas, os visionários das “visagens”, os sacerdotes do engano e erro, a falsa religião que se associa ao Estado para manipular, marionetar e iludir toda uma nação. Elias confronta e envergonha os profetas de baal e seus ritos pagãos que impressionam e amedrontam os mais incautos, sua balbúrdia e seus frenesis não foram de nenhuma valia diante da real e poderosa manifestação do poder de Deus. Sem retété, sem alarde, sem mistificações, mas, nutrido pela fé verdadeira e guiado na Palavra de Deus Elias impõe diante do povo a vergonhosa mentira, idolátrica e diabolicamente escravizante anti-religião, que é qualquer religião que nega a Deus.
O profeta teve medo, mas enfrentou-os confiadamente no Deus que lhe guardava. Elias não era super-homem. Não era de aço, nem tinha super-poderes que lhe conferisse uma inatingibilidade dos fracassos e tribulações da vida. Sofreu com as perseguições de Acabe, Jezabel e Acazias. Teve depressão por não ver a nação converte-se ao Senhor, embora os feitos grandiosos realizados através dele. Elias demonstra mais do que qualquer outro personagem as virtudes e fraquezas que todos os homens e mulheres que estão no ministério podem ser acometidos. No entanto, homem de oração e de fervor ao Senhor, sempre esteve pronto para retomar a caminhada, movido pela Palavra do Deus Vivo e Verdadeiro.
Diante de tudo isso, possamos refletir algo pra a nossa prática diária de fé, esperança e amor.
1. Como Igreja do Senhor, possamos permanecer firmes, jamais alinhados com sistemas corruptos. Prontos para denunciar as injustiças e cobrar a construção de uma sociedade mais solidária, mais humana, mais cristã. Que a nossa voz profética injete vida na vida da nação em estejamos inseridos.
2. Que nossa mensagem evangelística alcance pessoas e não seja, apenas planos para alcançar territórios e aumentar os números no rol de nossas secretarias de igreja.
3. Que todas as nossas ações, doutrinas, teologias, revelações, sonhos, palavras sejam conforme as Escrituras Sagradas, sem desviarmos nem para direita, nem para a esquerda, mas que Ela seja o lume que garante o rumo da nau.
4. Que possamos compreender definitivamente que Deus não sofre de surdez, – baal é que poderia ser surdo – não se impressiona com qualquer ritual litúrgico antropocêntrico, nem é preciso nenhum retété, nenhum ato estranho ao Evangelho para que o poder de Deus se manifeste.
5. Deus jamais abandona os seus, “Eis que estou convosco até todos os dias até a consumação do século” Mateus 28.28.b.
           Em Cristo, que nos ouve sem gritos, mas com gemidos inexprimíveis.

terça-feira, 13 de março de 2012

Vergonha e Desabafo





                Sinto vergonha!
         Quando percebo as virtudes cristãs e as bases que solidificam a nossa fé, serem trocadas por evasivas filosóficas que condicionam a Verdade ao relativismo agonizante da medida do homem, e o Deus soberano sendo transformado em um ser apequenado, surpreso e cheios de sonhos infantis.
            Sinto vergonha!
            De ver a teologia ser tratada como uma abominação do conhecimento a ponto de muitos ditos "cristãos" aconselharem a fugir dela para não ter a sua “fé” esfriada; ou, sendo tratada como um mero conjunto de doutrinas do saber empírico, gerando teólogos que disputam preciosismos doutrinários em detrimento do povo cristão que anseia por unidade e paz. E assim, o púlpito foi transformado em um moderno areópago para demonstrações de oratória e homilética, em vez de lugar para a manifestação do poder de Deus pela sua Palavra por meio do Espírito.
            Sinto vergonha!
         Por acompanhar as disputas televisivas de muitos pastores midiáticos e seus ministérios gigantescos despejando promessas que Deus não fez. Brigando por coisas que não pertencem ao Reino, manipulando o telespectador para as vultosas doações numa verdadeira barganha celestial. Sinto vergonha por terem feito da oportunidade de comunicar o evangelho em uma corrida por audiência com direito a demonstração de quem mais expulsa demônios, de quem mais cura, de quem mais realiza feitos miraculosos, etc.
            Sinto vergonha!
            Quando a Bíblia é cada vez mais usada de acordo com o “achômetro” de cada um, ou como um livro mágico, enquanto fazem das experiências, que são bem pessoais, serem transformadas em doutrinas e normas, criando com isso, cadeias idolátricas em torno dos “vasos” que operam “moveres” que glorificam o homem e não mais a Deus.
            Sinto vergonha!
           De ver o misticismo, o bruxismo e o paganismo adentrar na Igreja Evangélica Brasileira e cada vez mais a ética, o exemplo e o viver a Palavra com dignidade se tornar um ideal utópico em vez de normalidade cristã.
            Sinto vergonha!
            Quando calvinista e arminianos se escalpelam em guerras que levam ao desgaste fraterno e o desamor crescente entre os irmãos.
            Sinto vergonha!
            Que o outrora povo protestante, não mais proteste, não mais examine, não mais discerna; que expressa uma espiritualidade fantasmagórica e caminhe por caminhos que não são os nossos; caminhos que não podemos e que não devemos ir.


              Sinto vergonha!
            Que este povo, que dantes recebera a alcunha de “os bíblicos” não mais leia, estude, nem perscrute como Bereanos a Palavra que lhes foi dada, e passou  a confiar plenamente nos pregadores estranhos e suas “revelações esdrúxulas”, tendo-as como verdade absoluta sem ao menos um exame acurado nas Escrituras.


          Sinto vergonha!
Que a Escola Bíblica Dominical, os Cultos de Doutrina e Orações sejam flagrantemente negligenciados e trocados por qualquer entretenimento fácil e alienante.
            Sinto vergonha dos cultos centrados no homem e em busca de bens de consumo numa ânsia neoliberal desenfreada e sem precedentes na história eclesiástica, enquanto remissão de pecados e o retorno de Cristo quase não mais constarem nas pautas dos sermões  dominicais.
            Sinto vergonha de mim, por minha inércia, impotência e vontade de desistir, pelo riso ante as cenas dantescas que se tornaram tão comuns hoje em dia e que deve nos levar a o choro, jejum e oração.
            Mas não te renego, nem te desprezo e não desisto de ti, simplesmente por te amar Igreja Evangélica Brasileira.

Em Cristo, que se entregou pela Igreja.
P.S: Tomei por empréstimo o mote da grande poetisa Cleide Canton e sua indignação pelo cenário de corrupção nacional: “Sinto Vergonha de Mim”.

segunda-feira, 12 de março de 2012

O Socorro Para as Almas Cansadas






Mateus 11.28
            Estamos cansados!...

            ...Das intermináveis propostas milagrosas que ocupam as manchetes dos grandes jornais, mas não encontram lugar nos corações aflitos. Prometem-nos soluções, porém, só nos dão desilusões.
            Estamos cansados!...
            ...Das engrenagens sistêmicas de esmagamentos que transformam o ser humano em números, estatísticas e máquinas; despersonalizando o ser e massificando as paranóias industrializadas.
            Estamos cansados!...
            ...Dos surtos esquizofrênicos das propostas religiosas alienantes que transforma a comunicação divina num misto de nebuloso mistério e amedrontador misticismo.
            Estamos cansados!...
            ...Da frenética busca dos modernos cristãos pelo deus Mamom. O culto ao dinheiro virou a grande motivação religiosa, e o Deus de Cristo Jesus, foi transformado num garçom cósmico sempre pronto a satisfazer os seus amos.
            Estamos sobrecarregados!...
            ...Pelas infindáveis explicações científicas para o mistério da vida, do tempo, do futuro. Palavras técnicas incapazes de produzir satisfação, nem paz para a alma e os questionamentos mais infantis permanecem pertinentemente desconstruindo suas teses e seus mundos.
            Estamos sobrecarregados!...
            ...Pela sanha de competitividade que virou a caminhada comunitária nessa existência. Tudo gira em torno dessa luta desumana entre os humanos, desumanizando a todos.
            Estamos sobrecarregados!...
            ...Pelos entretenimentos que alienam o coração e a vida; que faz com que não tenhamos mais as percepções humanitárias e solidárias constantes, pois o “show não pode parar”, mesmo em face da dor alheia.
            Estamos sobrecarregados!...
            ...Pela falta de sentido, dos vazios espirituais, pelas esquisitices religiosas, pelas vãs filosofias, pela ciência fria, pelo caminhar do nada para lugar algum...
            A alma se contorce e chora, o riso cala, a vida dói.
            O Mestre sabia dos estresses modernos!
            “Vinde a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei; aprendei de mim e encontrareis descanso para as vossas almas”. (Mateus 11.28-29)
        Conhecer Jesus não é uma viagem alucinógenamente alucinante, não é um encantamento místico, não é um sedativo psicológico, não é uma alienação religiosa, não é uma violação da personalidade, não é uma idiotização comportamental, não é um estado de permanente intriga com o mundo-pessoas.
            Conhecer Jesus é desnudar a alma, é despetrificar o coração, é decodificar a existência, é personalizar-se com Deus. É descortinar-se com o Pai, é reencontrar-se consigo mesmo, é transformar-se em nova criatura, é viver em plenitude tendo o Divino em nós.
            Conhecer Jesus não é uma viagem esotérica, mas, uma caminhada divina onde os cansaços e as sobrecargas existenciais findam na mansidão e suavidade do Senhor e Mestre.
            Conhecer Jesus é preencher a alma sedenta daquilo que mais necessita o homem, DEUS!
            Em Cristo que convida a todos: Vinde!